quinta-feira, outubro 31, 2013

FANTASMA de Don Coscarelli no Cineclube Dissenso!


Usando o Halloween e o Dia de Finados como mera desculpa para exibirmos mais um filme de terror, o Cineclube Dissenso apresenta FANTASMA (Phantasm, 1979), longa escrito e dirigido por Don Coscarelli. A produção é um marco do cinema de horror e de gênero independente americano e o Dissenso tem o prazer em exibi-la na tarde deste sábado dia 02 de novembro às 14h no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco. 

FANTASMA, assim como o maravilhoso A CASA DO ALÉM (The Beyond, 1981) do italiano Lucio Fulci, se assemelha e muito a um pesadelo filmado com uma narrativa que não preza muito pela lógica e realismo. O real interesse de Coscarelli é jogar seu espectador em uma montanha russa de horror cinematográfico. E para isso, ele conta a história de Mike (A. Michael Baldwin), um garoto que tem medo de perder a companhia de seu irmão Jody (Bill Thornbury) após o recente falecimento de seus pais. Mike faz de tudo para estar perto do irmão, até mesmo quando este acompanha seu amigo Reggie (Reggie Bannister) no funeral de um conhecido em comum que foi morto por uma misteriosa mulher no início do filme. O moleque acompanha tudo escondido, de binóculos, e termina vendo o agente funerário (um sinistro Angus Scrimm, em desempenho que o marcaria para sempre) guardar sozinho o caixão com o corpo do falecido dentro de seu carro. Com esse ponto de partida e a união do trio para investigar e combater o mal trazido pelo Homem Alto, o longa ficará cada vez mais excêntrico, bizarro e delirante até o seu inevitável fim. 

Feito com um orçamento estimado em 300 mil dólares, de acordo com o IMDB, o longa faturou mais de dez milhões de dólares de bilheteria apenas nos Estados Unidos com exibições em cinemas e drive-ins. Seu grande sucesso também foi responsável por 3 continuações (lançadas em 1988, 1994 e 1998) escritas e dirigidas pelo próprio Coscarelli. O diretor também realizou O PRÍNCIPE GUERREIRO (The Beastmaster, 1982), filme de fantasia que teve constantes reprises no Cinema em Casa durante os anos 90, o excelente BUBBA HO-TEP (2002) onde Elvis Presley (Bruce Campbell, o eterno Ash da franquia EVIL DEAD) se junta a um JFK negro (Ossie Davis) para combater uma múmia que tem sugado as almas de idosos em um asilo e o recente JOHN MORRE NO FINAL (John Dies at the End, 2012). 

SERVIÇO
Cineclube Dissenso
Fantasma (Estados Unidos, 1979), de Don Coscarelli
Sábado, 02 de novembro - 14h
Cinema da Fundação Joaquim Nabuco
Entrada Gratuita

domingo, outubro 13, 2013

Uma palavrinha sobre o VI Janela Internacional de Cinema do Recife

Na última sexta-feira, 11 de outubro, tivemos o início da 6a. edição do Janela Internacional de Cinema do Recife. Quem ainda acompanha esse blog e me conhece pessoalmente sabe do quanto eu tenho carinho por esse festival, realizado com enorme dedicação por Kleber Mendonça Filho, Emilie Lesclaux e equipe. Carinho esse que vem não apenas porque eu fui parte do 1o. Janela Crítica (projeto que contempla jovens que desejam se tornar pensadores de cinema), voluntário na 2a. edição, espectador na 3a. e 4a. e representante do Cineclube Dissenso na 5a. e 6a. edições, mas porque esse é um festival de cinema do qual tenho muito orgulho de ver sendo realizado na cidade do Recife. Diferente de um outro aí que não vem ao caso agora e só tem cometido equívocos atrás de equívocos. 

A abertura oficial se deu com TATUAGEM, de Hilton Lacerda, mas a programação se iniciou mais cedo a partir das 18h30 com a inesquecível exibição de FAÇA A COISA CERTA, a obra-prima de Spike Lee, o 1o. dos Clássicos do Janela deste ano. É deveras curioso vê-lo sendo exibido no evento após a aclamação de O SOM AO REDOR, do próprio Kleber, pois, de certa forma, eles são filmes-irmãos. Apesar de seus momentos cômicos, FAÇA A COISA CERTA e O SOM AO REDOR são filmes sobre um bairro e seus personagens que se mostram dedicados a construir uma tensão que chegará a um nível agonizante e uma explosão de violência física e psicológica em sua conclusão. 

FAÇA A COISA CERTA é um grande filme que ficou gigante na tela do São Luiz. Amparado por um elenco genial (Danny Aiello, Ossie Davis, Ruby Dee, Rosie Perez, John Turturro, Richard Edson, Giancarlo Esposito, Bill Nunn, Roger Guenveur Smith, a dupla John Savage e Frank Vincent em pequenos porém marcantes papéis e muitos outros excelentes atores), Lee realiza aquele que talvez seja o filme definitivo sobre a intolerância e a estupidez geradas por confrontos raciais. Eu entrei em êxtase semelhante ao do trielo de TRÊS HOMENS EM CONFLITO - outra sessão memorável do Janela - quando Radio Raheem (Nunn) nos brinda com seu monólogo sobre Amor vs. Ódio. Foi lindo demais. 


A sessão de OS EMBALOS DE SÁBADO À NOITE realizada na noite do sábado 12 (se ligou? "Os Embalos de Sábado à Noite", sessão no sábado à noite... hehe) foi outra coisa linda. A obra mais amada de toda a carreira do diretor John Badham apenas cresceu com essa revisão e fiquei impressionado com o quanto o filme consegue ser tão belo em sua simplicidade e humanidade, no interesse por aqueles personagens. Imagem e som de qualidade muito acima de minhas já elevadas espectativas fizeram com que o longa atingisse ainda mais o espectador tanto nas cenas em que ele esbanja alegria quanto nas cenas em que acompanhamos o sensível e melancólico registro dos dramas vividos por um jovem chamado Tony Manero (John Travolta, no papel que merecidamente o transformou em astro) e as pessoas que o cercam.

E o que dizer da espetacular trilha de canções compostas e - em sua grande maioria - interpretadas pelos BEE GEES? UAU. Fica claro porque o seu casamento com as imagens do filme é algo que jamais será desfeito na memória das pessoas que tiveram a oportunidade de assisti-lo em sua estréia. Nem da minha, que acabo de assistir pela 1a. vez na tela grande.


Eu deveria ter escrito também sobre a sessão do Cineclube Dissenso realizada ontem também no São Luiz em conjunto com o Janela mas isso vai ter que ficar para outra hora. Não quero me atrasar para conferir um dos filmes de minha vida na tela grande. Trata-se de nada mais nada menos que "Era Uma Vez no Oeste" de Sergio Leone.

 Fui!