sexta-feira, março 22, 2013

O cinema extremo de Shinya Tsukamoto é o destaque do Cineclube Dissenso neste sábado, 23/03


Na tarde do último sábado, o público do Cineclube Dissenso prestigiou uma sessão-homenagem a Nagisa Oshima, com “O Homem Que Deixou Seu Testamento No Filme” (1970). Neste sábado, 23 de março, às 14h, o Dissenso apresentará no Cinema da Fundação o trabalho de outro diretor japonês, atuante em um determinado tipo de cinema que possui realizadores e espectadores fiéis em todos os seis continentes do mundo. Trata-se do cinema extremo. Em poucas palavras, os filmes que representam essa tendência geralmente colocam seus personagens em situações absurdas, impensáveis e – por quê não? – extremas. Essas produções também costumam contar com uma boa dose de ‘gore’, sexo e violência.

Evidentemente, o uso dessas características varia de diretor para diretor e Shinya Tsukamoto, realizador de HAZE (2005), filme apresentado na tarde deste próximo sábado, 23/03, costuma explorá-las para fazer com que o espectador se sinta imerso no estado mental dos personagens. A premissa deste horror minimalista é simples: homem acorda em uma pequena sala da qual ele praticamente não consegue se mexer direito, sem lembrar do próprio nome e de como veio parar nela. O que vem a seguir é um verdadeiro pesadelo filmado com o personagem sendo vítima de uma série de torturas físicas e psicológicas.

A rápida sinopse acima pode lembrar de filmes como “Cubo” (Vincenzo Natali, 1997) e “Jogos Mortais” (James Wan, 2004), também inspirados por um clássico episódio da série “Além da Imaginação” (Five Characters in the Search of an Exit, de Lamont Johnson), mas o que Tsukamoto busca em HAZE é a criação de uma atmosfera agonizante, que pode beirar o inassistível para alguns espectadores. E ele consegue ser bem sucedido, tanto por seu talento na condução de uma história que não aparenta situar-se em um cenário tão limitado quanto por sua inspirada atuação como o desesperado protagonista. Os constantes planos fechados feitos pela câmera inquieta de Tsukamoto só reforçam um forte sentimento de claustrofobia que está presente durante a maior parte da duração do filme.

HAZE foi, originalmente, um curta de 25 minutos feito para a tradicional coletânea “Digital Short Films by Three Filmmakers”, apresentada anualmente pelo Jeonju International Film Festival da Coréia do Norte, onde também participaram os realizadores Apichatpong Weerasethakul e Song Il-gon. Para lançamento em outros festivais e em DVD, Tsukamoto montou uma versão estendida, de 50 minutos. É essa versão que será exibida na tarde deste sábado no Cineclube Dissenso, com entrada franca.