segunda-feira, maio 31, 2010

80 anos de Clint Eastwood

- Do you feel lucky, punks?
- Yes, we do!

Perdemos Hopper, mas Eastwood continua entre nós. Aproveito a grande data e já deixo a dica de um subestimado filme estrelado por ele: JOE KIDD (1972), dirigido por John Sturges, roteiro de Elmore Leonard e estrelado pelo quinteto Eastwood, Robert Duvall, John Saxon, Don Stroud e Paul Koslo. Trata-se de um ótimo faroeste. O problema é que muitos insistem em compará-lo com as maravilhas que Eastwood estrelou e dirigiu no mesmo período e - como desgraça pouca é bobagem - com os clássicos de Sturges. Aí é bronca.


sábado, maio 29, 2010

Dennis Hopper



1936 - 2010


Dentre todos os filmes e atuações de Hopper, nunca escondi que sua cena com Christopher Walken em AMOR À QUEIMA ROUPA sempre foi a minha favorita. Esses 10 minutos de filme são a melhor coisa que Tarantino já escreveu e também a melhor coisa que Tony Scott já dirigiu. As destemidas atuações de Hopper e Walken somadas à imensa figura de James Gandolfini assistindo tudo caladinho só deixam essa grande cena ainda mais brilhante.

quinta-feira, maio 27, 2010

terça-feira, maio 25, 2010

Trailer de THE AMAZING BULK!

THE BUTCHER (2009, EUA)

Minha insistência em quebrar a cara em vários filmes B é recompensada quando assisto a uma belezura dessas.

Não é mais nenhuma novidade que considero THE BUTCHER um filmaço. O amigo e comparsa de cinefilia Ronald Perrone fez questão de revelar isso quando escreveu - muito bem - sobre ele. Então, o que falar sobre essa pérola que já não foi dito antes? Um pouco complicado, mas vamos dizer que Jesse V. Johnson tinha em mãos um orçamento apertado, de telefilme medíocre para tapar buraco na programação das TV's. O dublê cineasta tirou leite de pedra.

Eric Roberts comanda a produção com sua presença inconfundível, num dos melhores papéis de sua carreira. Roberts é Merle "O Açougueiro" Hench, um ex-boxeador agora trabalhando como capanga do chefão Murdoch (Robert Davi!), que nota o coração de seu empregado amolecer com o avanço da idade, quando deixa dois bandidinhos escaparem vivos de uma emboscada. Ele e sua turma acabam armando uma das pesadas para Merle. Só que eles acabarão descobrindo da pior maneira possível que não deveriam ter se metido com "O Açougueiro".


O elenco se completa por outros rostinhos bonitos como Keith David, Geoffrey Lewis, Michael Ironside, Jerry Trimble, Vernon Wells, Duane Whitaker e Bokeem Woodbine. Embora todos eles sejam coadjuvantes de luxo e participações especiais, Jesse tirou o melhor do limitado tempo de cena de cada um deles. Os três primeiros que foram citados interpretam os personagens com quem Merle tem algo mais próximo de uma amizade. Ironside é um assassino de aluguel e Lewis o bonachão dono de uma loja de armas. Keith David é um bookmaker para quem Merle deve muito dinheiro, mas que gosta tanto do sujeito que se sente mal quando tem de mandar dois brutamontes descerem a porrada nele para cobrar as dívidas. Um pequeno grande papel para um ator tão desperdiçado como ele atualmente. Jerry Trimble rouba os minutos que aparece, compondo um tipo pra lá de odioso. É muito bom ver esse então astro das minhas noites de terça na Bandeirantes (Sessão Kickboxer!!) tão bem e seguro em cena. A única presença feminina de destaque é a finlandesa Irina Bjorklund, como Jackie, a garconete do café que se apaixona pelo matador de coração mole. Não faz nada mal um pouco de romance em meio a tanta testosterona.

O filme se difere do habitual por ser mais próximo do cinema de crime britânico. Não estou falando de Guy Ritchie e cia, mas sim dos tempos de Mike Hodges e cia, especialmente CARTER, O VINGADOR. Jesse V. Johnson conta a sua história sem pressa, com interesse nos diálogos e interações entre os personagens, fazendo eles brotarem alguma vida. E isso faz até mesmo os estereotipados serem mais humanos. Por esse motivo, o roteiro do próprio diretor leva um certo tempo para engrenar e chegar nas reais cenas de ação. Mas quando elas chegam, o espetáculo toma conta da tela. Esqueça câmera tremilique, esqueça medinho de mostrar feridas de bala, esqueça computação gráfica, o que temos é uma sucessão de truculência capaz de deixar RAMBO IV corado de vergonha. Acho que desde FERVURA MÁXIMA não tinha visto a violência retratada desta maneira. Se vivo, Peckinpah chamaria o Jesse para virar uma garrafa de whisky.

THE BUTCHER é um filme que abraça os bons tempos do cinema físico e "old school" dos anos 70 com carinho. Sem deixar de dar o tapinha nas costas, claro, apesar das mãos sujas de sangue.

segunda-feira, maio 17, 2010

The Asylum invade o Brasil



Lá estava eu nas Americanas matando hora em pleno Dia das Mães, quando me deparo com o 2012 da The Asylum espalhado por várias prateleiras de DVD's. Numa delas, ele pode ser visto ao lado de CREPÚSCULO. É isso mesmo, o Apocalipse está chegando.

E só estou comunicando a todos uma semana depois porque a câmera teimava em não passar as fotos para o computador. Então cuidado, muito cuidado!

quarta-feira, maio 12, 2010

Mais outra partida de 2010...

David E. Durston
1921 - 2010

segunda-feira, maio 10, 2010

Obrigado, Frank Frazetta




Frank Frazetta
1928 - 2010

sexta-feira, maio 07, 2010

Entrevista com Geoff Meed (6 Guns)

Geoff Meed é ator e roteirista. De acordo com o IMDB, ele já participou de 52 filmes e séries de TV, incluindo WALKER TEXAS RANGER e O RENEGADO e na tela grande com filmes como PEQUENA MISS SUNSHINE e RESIDENT EVIL 3: A EXTINÇÃO. Em 2007, ele passou a também fazer parte das produções da The Asylum com a realização de UNIVERSAL SOLDIERS. Ele também escreveu e foi coadjuvante em BATALHA DOS MORTOS (I am Omega), estrelado por Mark Dacascos, com quem já tinha contracenado em KICKBOXER 5. Um dos últimos lançamentos da The Asylum é outro filme em que ele roteirizou e atuou, um faroeste chamado 6 GUNS. Mesmo com a agenda cheia e muito ocupado com um novo roteiro, o simpático Geoff bateu um papo descontraído com o Vá e Veja.

VeV - Como você se interessou em atuar e escrever roteiros?

Eu era um garoto malvado. Fui expulso do colégio e meus pais me chamaram em casa. Para compensar aquela chateação, passei a atuar. Mas também foi por conta de uma linda garota que conheci que era uma atriz.

Sobre roteiros, eu sempre me interessei pela época da Lei Seca e a Grande Depressão - dos anos 1920 aos 1940. Eles pareceram tempos excitantes, por bem ou por mal. Sempre fui fã de filmes como THE COTTON CLUB, BUGSY e um de meus favoritos de todos os tempos que é O BEIJO DA MORTE, de Henry Hathaway. Fiz teste para o filme IMPÉRIO DO CRIME (Mobsters), mas não consegui o papel e fiquei tão chateado porque o filme acabou sendo tão estúpido que decidi escrever um roteiro para um filme de gangsters passado na Lei Seca. Consegui uma reunião na HBO e uma grande agência naqueles dias. Quando me encontrei com o agente que era o cabeça do setor literário, ele disse que tinha gostado de meu roteiro e me perguntou o motivo de tê-lo escrevê-lo. Eu contei. Bom... a agência representava o roteirista e o diretor de "Império do Crime", então nem preciso te contar que eles não me aceitaram como cliente!

Continuei escrevendo porque descobri que essa é uma maneira de se manter criativo entre trabalhos como ator, e depois de muito tempo, finalmente vendi um desses roteiros e assim tudo continuou a acontecer.


VeV - Você tem um currículo extenso, já foi dirigido por Takeshi Kitano em BROTHER e Brian Trenchard-Smith em O DUENDE 4 e também fez PEQUENA MISS SUNSHINE!! Em sua carreira na TV, temos séries como BUFFY, BABYLON 5, THE SHIELD e CSI. Você também participou da série SETE HOMENS E UM DESTINO, baseada no clássico faroeste de John Sturges. Como você olha para esses trabalhos e as diferenças entre atuar em filmes e televisão?

A diferença entre atuar em cinema e TV é que em filmes, você filma 1 ou 3 páginas por dia em filmes de maior orçamento, como RESIDENT EVIL 3 e PEQUENA MISS SUNSHINE. É bem lento e pode ser muito chato. Mas em TV e filmes de menor orçamento como O DUENDE 4, você filma entre 6 a 15 páginas por dia! Gosto de TV porque é rápido, mas não barato. Filmar um roteiro de 55 páginas para um episódio de série em 8 dias é bem mais fácil que filmar um roteiro de baixo orçamento com 95 páginas em 12 dias, e o resultado final tem um melhor visual. É muito difícil fazer um filme de baixo orçamento em 12 dias. O episódio de SETE HOMENS E UM DESTINO foi uma grande curtição, eu estava lá todos os dias e continuo amigo de Michael Biehn e Eric Close! Para aquele episódio, a produção pagou muito dinheiro para as nossas roupas e nos deram umas armas bem maneiras.


VeV - Em 1995, você fez KICKBOXER 5 com Mark Dacascos. Foi uma surpresa trabalhar com ele anos depois em BATALHA DOS MORTOS (I am Omega), que você escreveu e co-estrela?

Sim, foi uma ótima surpresa, porque tínhamos perdido contato com o outro e agora temos nos falado bastante. Ele é um bom amigo.


VeV - Desde UNIVERSAL SOLDIERS para a The Asylum, você continuou a trabalhar com ela, que deve ser a única produtora no mundo que lança um filme B todo mês. O que te fez escrever 6 GUNS e como você propôs um faroeste para eles?

6 GUNS surgiu de uma idéia do Mark Dacascos. Mark teve de deixar o projeto, então eu continuei com ele. A The Asylum queria fazer um "projeto de paixão", algo que ELES queriam mesmo fazer.


VeV - Você parece amar faroestes, que tal nos contar os seus favoritos?

Os meus favoritos são todos os de Sergio Leone. ERA UMA VEZ NO OESTE, POR UM PUNHADO DE DÓLARES, POR UNS DÓLARES A MAIS... e também O ESTRANHO SEM NOME de Clint Eastwood.


VeV - Você também interpreta um dos personagens principais de 6 GUNS que é, claro, o vilão. É evidente que você adora fazer vilões e também se diverte com eles. Quais são as suas influências quando interpreta uma dessas "pessoas amáveis"?

James Remar, Sean Bean e John Malkovich em NA LINHA DE FOGO.


VeV - 6 GUNS foi o segundo filme de Shane Van Dyke na direção (o primeiro foi PARANORMAL ENTITY, também para a The Asylum). Você está satisfeito e feliz com o resultado final?

Eu fiquei muito feliz por Shane seguir o meu roteiro! Muitos diretores sentem que eles precisam "melhorar" o que o roteirista escreveu e isso me enche o saco. Shane foi demais!


VeV - O que devemos esperar de AIRLINE DISASTER? É como PASSAGEIRO 57, TENSÃO NAS ALTURAS e a série TURBULÊNCIA?

AIRLINE DISASTER será como DURO DE MATAR dentro de um avião. Eu sou o líder dos bandidos e também coreografei todas as lutas. Serão lutas como em BUSCA EXPLOSIVA e na trilogia BOURNE - bem realistas. Sem fios, chutes bobos ou coisas voando. Apenas técnicas muito reais e efetivas de legítima defesa.

VeV - Geoff, este é o seu espaço para enviar um recado para o público brasileiro.

Só espero que vocês gostem de 6 GUNS, obrigado por assistir. E também desejo que Lyoto Machida continue sendo o campeão dos Meios Pesados do UFC por muitos anos!


quarta-feira, maio 05, 2010

CHARLIE'S DEATH WISH (EUA, 2005)

O título não nega qual é a da produção: remeter o espectador aos bons tempos do filme de vingança setentista. CHARLIE'S DEATH WISH é feito com uma curtição tão forte pelo subgênero que acaba arrancando um sorriso de satisfação em qualquer fã. Um mal que assola a maioria desses pequenos filmes é se levar demais a sério e isso não acontece aqui, claro. Há trabalhos em baixo orçamento que tem potencial para isso do início ao fim e outros que não.

Jeff Leroy tinha plena consciência que o seu filme não seria nenhum clássico, mas ele sabia do que queria do início ao fim. E nós estamos falando de um filme onde um dos personagens principais é vivido por Ron Jeremy, um que ele não tira as calças (aleluia!) em momento algum. O famoso astro pornô também atua melhor do que muita gente pensa.

Phoebe Dollar interpreta Charlie, uma stripper que se muda para Hollywood com a única e exclusiva intenção de exterminar os responsáveis pela morte de sua irmã. A pobre moça sofreu um "acidente" quando estava na cadeia. Inocente ou culpada da prisão, isso não importa para Charlie. Todos aqueles que estão envolvidos irão pagar e a garota está chegando cada vez mais perto do mafioso Harry Niche (Randal Malone).

O capitão Al Rosenburg (Jeremy) é o responsável pelo caso, junto com o policial Harris (John Fava). Ele suspeita de Charlie, mas como ela tem eliminado toda a escória da cidade, o homem da lei não sabe bem o que fazer. Também entra em cena um inescrupuloso documentarista, Mike Bloomfeld (Marc Knudsen) que cobre os acontecimentos com o menor bom gosto possível, numa crítica a mídia que não faz muito bem ao filme. Ainda no elenco, participações especiais de Jed Rowen e dos roqueiros Lemmy Kilmister, Tracii Guns e Dizzy Reed, todos fazendo pessoas muito simpáticas.

Jeff Leroy é um representante legítimo do cinema independente de gênero americano. Desde o início de sua carreira, ele colaborou atrás das câmeras em diversas funções para gente como Ron Ford, Brad Sykes e Jay Woelfel. Na direção, ele é mais conhecido por CREEPIES e WEREWOLF IN A WOMEN'S PRISON. Jeff sempre faz questão de usar efeitos práticos, ao invés de encher o filme com computação gráfica, como muitos de seus colegas fazem. Trabalhar com orçamentos baixíssimos não o impede de ter tudo o que quer em seus filmes. Em CHARLIE'S DEATH WISH, ele explode prédios, ruas, tem perseguições de carro e ainda faz o famoso letreiro de Hollywood perder o HO. Tudo com o emprego das boas e velhas miniaturas. Claro que a técnica não é 100% convincente, mas estamos falando de um realizador de cinema de gênero, que sempre presta tributo aos filmes que tanto ama. E isso, aliado a sua postura em fazer seus filmes e efeitos da forma mais artesanal possível, faz de Jeff Leroy um autor.

Trailer de RAT SCRATCH FEVER, que será lançado em 2010



Por que WEREWOLF IN A WOMEN'S PRISON é melhor que AVATAR?



Jeff Leroy em um dia de trabalho