terça-feira, abril 27, 2010

That's fucking crazy, man

Inácio Araújo elogia Joel Caetano, mas desmerece dois heróis do nosso cinema

Fico muito feliz com as palavras do Inácio Araújo dirigidas ao Joel Caetano e GATO. Tive o prazer de conhecer Joel e sua esposa Mariana Zani quando fui ao Cinefantasy, no ano passado. Joel e Mariana tocam a Recurso Zero Produções, junto com um amigo em comum do casal, Danilo Baia. Ainda não tive a oportunidade de assistir ao curta, mas desejo todo o sucesso para ele.

Mas também devo dizer que deprime ver, no mesmo texto, tamanho desmerecimento por Afonso Brazza e Simião Martiniano. Inácio foi infeliz ao chamar TODA a filmografia deles de muito ruim e insuportável. Sim, eu concordo que as incapacidades técnicas fazem mesmo dos filmes do bombeiro de Brasília e do camelô de Recife parecerem coisa que Bruno Mattei jamais faria. Mas os filmes de Afonso e Simião, com suas imperfeições, montagem tosca, atuações amadoras, som inaudível em muitas cenas etc e etc são feitos com amor pelo cinema. E acredite, esses épicos feitos com grana de passagem de ônibus e rango me emocionam mais do que qualquer CENTRAL DO BRASIL.

Se você pensa que fazer cinema hoje continua difícil, coloque-se no lugar de Afonso e Simião. Eles são heróis por terem conseguido fazer o que fizeram. Até hoje, os dois continuam sendo grandes exemplos que deveriam ser mais valorizados e seguidos por todos com alguma vontade de fazer cinema no Brasil. Se assim fosse, teríamos 90% a menos dos curtas e longas verdadeiramente muito ruins e insuportáveis do cinema brasileiro.

Trailer de GATO

domingo, abril 18, 2010

Obrigado, Dede Allen

Depois dela, a edição cinematográfica não seria mais a mesma.

1923 - 2010

14 dos 32 filmes que passaram pelas suas mãos:

Desafio à Corrupção (1961)
Terra de um Sonho Distante (1963)
Bonnie & Clyde - Uma Rajada de Balas (1967)
Pequeno Grande Homem (1970)
Matadouro 5 (1972)
Serpico (1973)
Um Lance no Escuro (1975)
Um Dia de Cão (1975)
Duelo de Gigantes (1976)
Vale Tudo (1977)
Reds (1981)
Clube dos Cinco (1985)
Henry & June (1990)
A Família Addams (1991)

quinta-feira, abril 15, 2010

Entrevista com Clay Westervelt (Popatopolis)


O primeiro contato feito entre mim e Clay se deu ao meu interesse em assistir POPATOPOLIS, um documentário sobre Jim Wynorski e as filmagens de THE WITCHES OF BREASTWICK. Gostei tanto do filme que acabei me envolvendo mais do que esperava com ele, inclusive o ajudando em submissões para festivais de cinema brasileiros. Até o momento, POPATOPOLIS está nas mãos de três conceituados festivais, dois deles dedicados exclusivamente ao cinema fantástico. É por esse motivo que não irei resenhar sobre o filme aqui no blog ou em qualquer outro veículo.

Mas havia algo em mente desde o meu primeiro contato com Clay, que era conversar sobre POPATOPOLIS e seus personagens para o Vá e Veja. Fizemos então a entrevista que pode ser lida a seguir.


VeV - "Popatopolis" pode ser sobre Jim Wynorski e as filmagens de "The Witches of Breastwick", mas também revela que o diretor é um amante de filmes B. Há quanto tempo você é um?

Lembro de ficar acordado até tarde nas noites de sábado quando garoto assistindo aos filmes do Godzilla no “Theater of the Macabre” (programa de TV) – minha mãe só me deixava assistir se eu prometesse que não dormiria na igreja no dia seguinte. Existe um sentimento de inocência e aventura nesses filmes.

VeV - Qual foi o seu primeiro filme do Wynorski e quais memórias você tem dele? (pense numa questão perigosa... hehe)

O engraçado é que lembro de quando era adolescente e procurava filmes na locadora de VHS do bairro e passando pelos títulos que eu MAIS queria alugar, como "Screwballs", "Deathstalker II" e "Scream Queen Hot Tub Party". Só fui descobrir depois que começamos a fazer "Popatopolis" que esses filmes estavam ligados a Jim. Ironicamente, não assisti a nenhum deles na época – sabia que minha mãe não deixaria eles entrarem em casa.

Jim Wynorski, em companhia dos robôs de Chopping Mall

VeV - Como a idéia de fazer um documentário sobre Jim Wynorski apareceu?

Eu tenho trabalhado como cinematógrafo e fui contratado para filmar cenas adicionais em um filme que Jim foi contratado para salvar (nota: o filme era “Bad Bizness”, estrelado por Traci Bingham da série "SOS Malibu"). A maior parte da minha equipe era da escola de cinema da USC (University of Southern Califórnia) - e quando começamos a entrar no ritmo frenético de Jim, me toquei que nenhum de nós tinha qualquer experiência com os métodos de filmagem dele – o normal em Hollywood são 25 setups (posições de câmera) por dia e Jim é famoso por completar 100!

Meu amigo Joel (Pashby) estava editando o filme e sugeriu um documentário, mas Jim levou cerca de um ano para comprar a idéia. Eventualmente, eu e ele batíamos um papo comendo sanduíches de churrasco e ele disse “Clay, eu penso que será uma comédia!”. Então eu soube que Jim estava disposto a fazer graça de si mesmo e eu fiquei terrivelmente impressionado.

As pessoas não pensam no quanto intimida ser filmado enquanto trabalha, especialmente quando você está numa posição com tanta demanda. Você gostaria de ter cada tropeço e hesitação registrados para outros assistirem? Dou muito crédito a Jim porque desde o início ele fez questão de deixar tudo rolar e rir de si próprio. Ele sabia que o filme não seria uma “peça elogiosa” de propaganda, mas ele também sabia que tenho muito respeito por ele e que não estaria fazendo esse filme se eu não o adorasse.


VeV - Eu fiquei surpreso pela forma como o filme converge entre os dois assuntos: um cineasta e a produção de filmes B e de baixo orçamento, representada pelos bastidores de "The Witches of Breastwick". Isso deve ter tomado muito tempo na edição, que é uma das melhores coisas de "Popatopolis". Essa foi uma das razões pela demora do lançamento do filme, já que "Breastwick" é de 2005?

Você está coberto de razão, Osvaldo. Esse é um filme independente de verdade, feito a partir de um orçamento sub-Wynorski, então tudo demorou mais porque precisávamos trabalhar nele ao mesmo tempo que os trabalhos pagos. Mas com certeza, a montagem tomou muito desse tempo e sinto orgulho por cada minuto dela.

Brooks Larson é um editor brilhante e o mais rápido que já vi – então isso deve dizer algo a você sobre o quanto tivemos de trabalho para fazer o filme funcionar. Eu tive todas as entrevistas transcritas, então escolhi todas as citações usáveis e rearranjei-as, fazendo um quebra-cabeça do filme sobre o meu chão inteiro. Aquilo se tornou a estrutura e Brooks começou a árdua tarefa de aparar um corte inicial de 4 horas para um documentário com 75 minutos (1h15mins) de duração e imprimir um bom ritmo a ele.

Existe a tentanção em um documentário com tamanho potencial humorístico para o realizador ser “esperto” e inserir muitas piadas. Tiro o chapéu para Brooks por ele achar uma maneira de deixar as cenas falarem por si próprias e se distanciar de fazer “comentários”. É preciso uma mão experiente, elegante para fazer isso.


VeV - É demais ver lendas como Roger Corman e o falecido Andy Sidaris falando sobre Jim. Como fã, você se sentiu nervoso de início?

Mas é claro! Roger Corman é o professional consumado, sempre no escritório às 7 da manhã e sempre pontual. Eu me espelhava nele desde que passei a trabalhar com cinema e sempre quis trabalhar com ele, então foi uma honra e um prazer sentar em seu escritório. Corman foi tão generoso quanto ao seu tempo na entrevista e tem sido um apoiador ferrenho do filme desde então – a minha admiração apenas cresceu.

Eu era menos familiar com o conjunto do trabalho de Andy Sidaris, mas encontrá-lo também me deixou um pouco nervoso. Caminhar pelo lar de Andy e Arlene foi intimidador o bastante – com um Lichtenstein em uma parede e um enorme avião suspenso no teto, eu senti que estava num museu. Adicione os sete Emmys do homem e eu estava muito acanhado. Mas Andy foi tão gentil e genuíno que em cinco minutos tudo isso ficou para trás e estavamos conversando como se fóssemos velhos amigos. Eu nunca ouvi ninguém falar algo negativo sobre Andy e sei que ele deixou muitas saudades.

VeV - As mulheres de "Popatopolis". É certo dizer que elas roubam o filme para si em muitos momentos. Algumas das melhores falas são delas. Há depoimentos das duas Julies (Smith e Strain) que reforçam a visão 'doce-amarga' do filme sobre o cinema B atual. Isso já estava em mente desde o início ou foi algo que aconteceu?

O documentário começou como um esboço da figura do Jim e essa opinião sobre o desaparecimento dos filmes B enquanto gênero começou a surgir entre as entrevistas. Eu, particularmente, achei esse discurso bem pungente. Quem o expressa no filme de forma mais sucinta é Antonia Dorian e penso que ela está certa na forma que a Internet mudou sobre a nossa relação sobre os filmes independentes e B. Creio que em dez anos iremos olhar para os filmes B dos anos 80 com afeto pelo seu senso de inocência da mesma maneira como vemos com doçura para os filmes dos anos 50.

VeV - Foi divertido assistir os bastidores de "Breastwick", mas também pode ser notado que ser parte dele não é tão divertido assim. Não sei se é verdade, mas senti que Jim às vezes gostaria de estar em qualquer outro lugar ao invés daquele set. Ele também não divide muito da sua opinião sobre os filmes B atuais. Jim preferiu ser mais reservado ou você preferiu não perguntá-lo sobre isso?

O set é um lugar estressante. Já assisti filmagens de bastidores de mim mesmo dirigindo e fico horrorizado com minha aparência “Eu juro que estava me divertindo! Por quê eu pareço estar zangado?!?”. Garanto que Jim estava curtindo. Mesmo quando ele está mais frustrado, estou certo de que não há outro lugar que ele gostaria de estar.

Sobre os comentários do próprio Jim, ele preferiu não falar muito sobre si mesmo e recusou fazer o comentário para o DVD pelo mesmo motivo, que eu respeito. Sempre fui da opinião que o seu retrato mais fiel não é pintado por você, mas por aqueles que estão ao seu redor.


VeV - Não é todo mundo que lembra dos divertidos tempos ao final dos anos 90 quando Wynorski e Fred Olen Ray fizeram os seus épicos com 'cenas de arquivo'. Qual a sua opinião sobre o uso delas?

É uma espécie de história essencial, não? Muitos enxergam o uso de cenas de arquivo como “trapaça”, sem pensar que é preciso uma experiência tremenda para incorporá-la de forma contínua e consistente ao filme. Jim é um dos melhores em fazer isso. Para usar bem esses elementos se fazem necessárias a inventividade, a criatividade e uma certa audácia.

VeV - Dan Golden ("Obsessão Nua", "Roedores da Noite") é visto no trailer, mas a entrevista acabou não entrando no filme. Assim como John Terlesky ("Deathstalker II"), conforme você me contou. Quais foram as outras entrevistas que não entraram no filme? Existem planos para elas serem extras no DVD?

Muitas pessoas, incluindo Taime Hannum, Jodie Moore e Dan Golden, foram felizes ao contribuir com o seu tempo em honra de Jim, mas não conseguimos encaixar todas elas bem no filme. Gigi Erneta foi linda e falou com muita propriedade – eu fiz de tudo para tê-la no corte final. Estamos dando o nosso melhor em relação aos extras do DVD.


Clay no festival de Raindance, na Inglaterra.

VeV – O que vem a seguir para a Imaginaut Entertainment e Clay Westervelt?

Estamos bem ocupados em desenvolvimento de séries, documentários e filmes, inclusive em um filme de terror de baixo orçamento para o qual estamos procurando investidores. Algo mais perto do tom de Popatopolis é um show cômico de reformas domésticas que estamos desenvolvendo, com um personagem principal onde o riso e o amor andam de mãos dadas.

VeV – Este é o seu espaço para enviar uma mensagem aos amigos brasileiros que estão lendo a entrevista. O que eles podem esperar de "Popatopolis"?

Espere por uma espiadinha de bom ritmo pelos bastidores de “The Witches of Breastwick”, um filme rodado em três dias. Será um passeio atribulado, mas que você irá querer repetir.


Agradecimentos a Clay Westervelt pelo tempo concedido para a entrevista e ao amigo Ronald Perrone pela força na tradução.


segunda-feira, abril 12, 2010

quarta-feira, abril 07, 2010

sábado, abril 03, 2010

Presente de Páscoa

Entrevista com a atriz Victoria Maurette, para o Boca do Inferno


E visite o meu, o seu, o nosso Radioactive Dreams para conferir a primeira imagem da moça no aguardado TALES OF AN ANCIENT EMPIRE.

quinta-feira, abril 01, 2010

Diretamente das fitas da America Vídeo!!







Agradecimentos especiais: Fernanda Oliveira