segunda-feira, dezembro 31, 2007

ELEIÇÃO - O SUBMUNDO DO PODER (Hak se wui / Election, 2005, HK)


Penso que nunca as Tríades foram tão bem retratadas antes pelo cinema. É com muito realismo e equilíbrio que Johnnie To narra os bastidores do processo eleitoral para presidente desta instituição do crime que se enraizou na China e os mecanismos que fazem ela durar tanto. A produção assume isso através do excelente roteiro que conta com o diálogo de um policial que diz não ter jeito de extinguir essa máfia. O realismo é tamanho que ELEIÇÃO mostra ainda os próprios policiais liberando presos para conversarem com outros em suas celas e assim diminuir os riscos de uma iminente guerra. Os candidatos são vividos por Simon Yam e Tony Leung Ka-Fai em desempenhos irrepreensíveis e são apoiados por um elenco coadjuvante escolhido a dedo, que inclui caras conhecidas de outros filmes de To como Lam Suet e Nick Cheung.

A esposa de um dos protagonistas é a única personagem feminina digna de nota, mas ela tem pouquíssimas falas. Portanto, a masculinidade impera cada frame desta surpreendente injeção de novidade dentro de um subgênero infelizmente marcado pela constante repetição de cenas e mais cenas de obras clássicas em filmecos batidos e repetitivos. Ah, ajuda dizer que um simples tiro de arma de fogo não é disparado no filme inteiro e a gente não sente a menor falta disso, por incrível que possa parecer. Atenção para o final: um dos mais brutais e inspirados que já vi. Simplesmente o meu To favorito até agora, preciso urgente conferir a continuação deste filmaço.

PS: E é falando de ELEIÇÃO que encerro as atividades do VÁ E VEJA neste 2007, onde o blog completa 1 ano e meio de existência. Agradeço todo o apoio, paciência, amizade e companheirismo de todos aqueles que fazem com que eu continue a alimentar esse modesto espaço com vídeos, dicas, informações e resenhas onde costumo expressar a minha opinião sobre cinema. Para mim, 2007 foi um ano bem atípico. No lado pessoal, ele foi muito estranho e até mais horripilante do que muitos filmes de terror, mas tive várias agradáveis surpresas no decorrer dele, incluindo aí vários filmes recentes que vi e outros que finalmente consegui assistir. Pena que nos últimos 15 dias aconteceu algo chato entre eu e duas pessoas que tanto considero, tomara que tudo se resolva bem o mais breve possível. Atípico também é um adjetivo bem empregado para se falar das produções que vimos na tela grande. Títulos como APOCALYPTO, ROCKY BALBOA, CARTAS DE IWO JIMA, OS DONOS DA NOITE, ZODÍACO, POSSUÍDOS, O HOSPEDEIRO, RATATOUILLE, LEÕES E CORDEIROS, o projeto GRINDHOUSE e outros deixaram uma marca inegável nos corações cinéfilos de muitos amigos do blog que sentiram mais do que nunca o retorno do bom e velho cinema feito com o pé no chão. ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ, O GÂNGSTER, SENHORES DO CRIME e nada mais nada menos que três faroestes irão entrar em cartaz para confirmar essa tendência no início deste novo ano que tem tudo para ser promissor.

Um grande abraço deste simples ragazzo a todos e até mais. :)

domingo, dezembro 30, 2007

Cenas de SEGURANÇA NACIONAL

Esse vai ser Trash até o talo!



Dica do Daniel The Walrus

terça-feira, dezembro 25, 2007

Ho-ho-ho!




VÁ E VEJA deseja a todos os leitores e amigos um excelente 25 de dezembro. É hora de aproveitar a folga do feriado com um bom descanso e uns filminhos legais. Como terei a companhia de Chuck, Tiffany e Glen (ou Glenda?) hoje, aconselho a ver pelo menos um que tenha uma boa dose de sangue e peitinhos para começar bem o dia. Miike, Franco, Castellari, Mattei, Friedkin e Cronemberg também são boas pedidas.

Um grande abraço.

domingo, dezembro 23, 2007

- Sabia que tinha deixado escapar uma... leiam o texto do amigo David sobre INLAND EMPIRE. Dá uma bela surra em muitos que andam recomendando por aí.
- Pessoal, a nova
ZINGU! está no ar desde a semana passada com os seus colaboradores detonando mais uma vez. Dentre os vários destaques da edição número 15, peço atenção de vocês pra colaboração de Marcelo Carrard que nos dá um especial Joe D' Amato e no texto que ele escreveu sobre os filmes apocalípticos italianos que dominaram os anos 80. Só ficou sem falar do hilário e obrigatório GUERREIROS DO FUTURO (Warriors of the Wasteland/I Nuovi Barbari, 82), um filme onde o moçinho Timothy Brent é currado (!!!!) sem dó e nem piedade por George "Anthropophagous" Eastman, mas tudo bem. Há a segunda parte do artigo de Rodrigo Pereira sobre o Faroeste Feijoada, Frank Capra, Eric Rohmer, Jerry Lee Lewis e muito mais.

- Saiu um texto bem pessoal e descontraído de minha parte na última atualização do
BOCA DO INFERNO sobre um alemão pirado que se chama Olaf Ittenbach, a mente desequilibrada responsável por LUA SANGRENTA, PREMUTOS e ALÉM DOS LIMITES. Todos filmes anárquicos e até repulsivos que não desapontam em sangreira de qualidade.

- Chequem as últimas atualizações do
B MOVIE BOX CAR BLUES e se deleitem. ;)

- No post com trailers de MY NAME IS BRUCE e THE MACHINE GIRL, eu e Bruno Martino a
respeito de HARD LUCK, um direto pra vídeo bem estranho e diferente dirigido por Mario Van Peebles com Wesley Snipes onde Cybill Shepherd encarna uma assassina em série. Pois bem, Snipes quebrou o seu silêncio com a imprensa e abre o bico numa interessante matéria que saiu esses dias no Entertainment Weekly . O ator dá a sua opinião sobre o fracasso de BLADE: TRINITY, das confusões com o Imposto de Renda, dos filmes lançados no mercado doméstico e até de uma provável cinebiografia de James Brown dirigida por Spike Lee onde ele encarnaria o próprio "Godfather of Soul".

Acho que por enquanto é só. Até a próxima, amigos(as).

Atualizado em 25/12/07

TEMOS VAGAS (Vacancy, 2006, EUA)


Fazem poucas horas que conferi esse pequeno suspense protagonizado por Kate Beckinsale e Luke Wilson. Ele seria lançado nos cinemas, só que a Sony do Brasil preferiu lançá-lo diretamente em DVD. Para o período fraco de lançamentos do gênero nos cinemas e nas locadoras, TEMOS VAGAS se sai bem e cumpre a sua proposta de ser uma boa diversão. Basicamente, temos um casal em crise no relacionamento passando uma noite nada agradável dentro de um hotel de beira de estrada. Os personagens estranhos estão lá, assim como os típicos clichês dos filmes de gente que se perde em estrada.

O roteiro em si não tem nenhuma grande novidade, além de ser um pouco convencional e até mesmo previsível. Mas TEMOS VAGAS tem a vantagem de ser curtinho (menos de 1h20mins, se não contarmos os créditos finais) e o diretor Nimrod Àntal não deixa espaço para encheção de lingüiça. O filme é simples, rápido e eficiente, exatamente o tipo que aprecio quando quero matar um tempinho. Só a conclusão desaponta um pouco, mas ainda assim digo que vale assisti-lo numa tarde preguiçosa ou então colocar ele como o segundo título de uma sessão dupla, assim como os antigos cinemas de bairro aqui de Recife faziam. Filme B de bom.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Trailers

MY NAME IS BRUCE



"- Do you're ready for this, Bruce?

- Kid, i made a movie in Bulgaria. I'm ready for everything."


THE MACHINE GIRL

segunda-feira, dezembro 17, 2007

IMPÉRIO DOS SONHOS (Inland Empire, 2006, EUA)


O final de semana foi inesquecível. Eu só queria saber é de ver bons filmes numa sala escura de cinema, mais precisamente a do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco que ainda está exibindo a sua programação normal da Expectativa 2008. A mostra de final de ano já tem tradição entre os cinéfilos recifenses e a coisa mais comum é "esbarrar" em conhecidos do ramo nas filas ou dentro das sessões. Vi 4 filmes, sendo que dois títulos eram mais do que esperados por mim: À PROVA DE MORTE e IMPÉRIO DOS SONHOS. Tentarei conversar um pouco com vocês sobre o último porque ele está consumindo a minha pobre cabeçinha desde as 21hrs de ontem, o horário de minha saída da sessão. Repararam que eu usei o verbo tentar no início da frase anterior? Não é para menos. Não é para menos mesmo.

Me sinto muito confuso em relação aos primeiros sentimentos que tenho a respeito deste mais novo trabalho de David Lynch, realizado cinco anos após ele ter cometido o maravilhoso CIDADE DOS SONHOS. Trata-se de um misto muito incomum de satisfação com decepção em relação a um filme que não tenho há anos. IMPÉRIO DOS SONHOS era o filme mais esperado de todo o ano de 2007 pela minha pobre pessoa, daí me aconteceu isso. Pode ser que uma revisão dê algum jeito nessa visão torta que tenho do filme, mas acredito que isso não deva ocorrer. Se você gosta de Lynch e está aberto a dedicar três horas de sua vida numa grande viagem, vá em frente. Se você for entusiasta de cinema digital e não gosta de Lynch, então você está ferrado, pois terá de ver esse filme de qualquer jeito para saber do poder que uma PD-150 tem e ninguém sabia.

A história do roteiro amaldiçoado a ser dirigido por Kingsley Stewart (Jeremy Irons) com os atores Nikki Grace (Laura Dern) e Devon Berk (Justin Theroux) é puro pretexto para Lynch nos jogar em mais um dos seus pesadelos filmados, só que desta vez captados em vídeo. E que beleza ver Lynch tão fascinado com a câmera na mão, a ponto da gente notar quando é ele que está operando ela, como muito bem disse o amigo André ZP no seu inspirado comentário onde também elogia merecidamente a total entrega de Luara Dern ao seu papel. O filme inteiro é dela. Ainda assim, Irons, Theroux e Harry Dean Stanton (que protagoniza momento marcante) não desapontam.


Eu disse a mim mesmo que não ficaria encucado tentando entender o filme, mas foi impossível. Só fui desistir e me deixar levar pela viagem um pouco tarde demais, cerca de 1h20min de exibição, quando Lynch já tinha nos soltado na escuridão e no delirante surrealismo do mundinho que habita a sua mente perturbada há um bom tempo atrás. É até chato falar isso de um filme do qual eu apreciei muita coisa, mas IMPÉRIO DOS SONHOS me fez ficar olhando pro relógio altas vezes em algumas de suas muitas tentativas de deixar o espectador desconfortável e desnorteado com o que está vendo. Isso não me aconteceu com A ESTRADA PERDIDA de onde Lynch tenta resgatar o clima aterrador e fantasmagórico de constante tensão sem o mesmo sucesso. Ainda há alguns momentos dignos de filme Trash (o que raios é aquela cena do rosto??) onde eu tive de rir junto com pessoas do público por vê-los sendo levados tão a sério. Ah, eu também achei aquelas cenas com o (suposto?) psicólogo um verdadeiro saco.

De positivo, destaco a trilha sonora com canções bem escolhidas mais uma vez e os atores conhecidos fazendo participações especiais. Dentre eles, Grace Zabriskie, Diane Ladd (mãe de Laura Dern, aqui em seu segundo filme com Lynch e a filha), William H. Macy, Naomi Watts (como a voz de um dos RABBITS) e as belezuras Laura Harring e Natassja Kinski. Só fui me ligar que Natassja estava no filme por causa dos créditos finais, será que eu viajei legal? hehe.

IMPÉRIO DOS SONHOS pode não ser metade de A ESTRADA PERDIDA e CIDADE DOS SONHOS, mas ele realmente marcou 2007. Várias pessoas (mais de 10, creio) saíram da sala lotada em que eu me encontrava para dar lugar a outras que pararam o estado de transe em que se encontravam para ocupar os lugares. O retorno de Lynch é uma experiência tão radical que só posso comparar a que eu tive este ano na tela grande com BUG. Ver esses dois monstros mandando bala no mesmo ano fez um bem danado ao meu coração cinéfilo. :)

Er... vejo agora que corro sério risco de ser Lynchado por causa de algumas de minhas palavras, mas tudo bem hehe.

PS aka Osvaldo destilando um pouco de sua cultura inútil:

1 - Diane Ladd fez uma cientista louca que quer dominar o mundo com dinossauros gigantes em CARNOSSAURO, produção de Roger Corman feita nas pressas pra faturar em cima de JURASSIC PARK, lançado no mesmo ano e protagonizado por Laura Dern.

2 - Dois atores B fazem rápidas aparições no filme. Cameron Daddo, o astro de PTERODACTYL, faz o agente do personagem de Justin Theroux. Stanley Kamel que está numa das cenas que achei dispensáveis é mais lembrado por mim de sua participação em AUTOMATIC, imitação até divertida de ROBOCOP e EXTERMINADOR DO FUTURO com Olivier Gruner e John Glover.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

ONE FROGGY EVENING

Outro clássico de Chuck Jones.



Hello, my baby. Hello, my honey...

quarta-feira, dezembro 12, 2007

DUCK DODGERS DO SÉCULO 24 E 1/2

Achei! :)

Pato Furioso (Duck Amuck, 1953, EUA)

Antes de tudo, farei uma propagandinha. Eu peguei neste final de semana um DVD da Coleção Looney Tunes da Warner por um preçinho bem camarada chamado AVENTURAS COM PATOLINO e GAGUINHO.


O disco é ótimo. Ele vem com 14 episódios mais alguns extras. Estou vendo ele aos poucos e me divertindo com cada uma das pérolas que estão nele. Tem PATOLINO NO OESTE, ELEMENTAR MEU CARO, DUCK DODGERS DO SÉCULO 24 E 1/2 e outros.

Mas nada me preparou para a surpresa que foi rever PATO FURIOSO. Eu só pude ficar de queixo caído com o excelente curta de animação que ele é. Chuck Jones, Mel Blanc e cia. fizeram uma maravilha de filme. Em poucas palavras, o filme se resume a Patolino reclamando o tempo inteiro do cartunista que só vive sacaneando com ele do início ao fim do curta. Não dá pra ficar sem rir. Quando a gente está se recuperando das risadas, vem mais outra tiração de sarro com a cara do Patolino e mais outra e mais outra hehehe. Trata-se de um trabalho bem ousado para a época de sua realização. Hoje em dia, o filme é merecidamente visto como uma obra-prima.

Assistam a PATO FURIOSO abaixo (sem legendas em português):

quinta-feira, dezembro 06, 2007

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Nas bancas

DVD + Revista DVD News Maio/07 = R$ 9,99

DVD + Revista Showtime = R$ 7,90

Desnecessário dizer que já estou com os meus, né? hehehe.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Aniversário de Nino Rota

Hoje o maestro completaria 96 anos.


Toda vez que penso em Nino Rota é essa trilha que me vem à cabeça.

terça-feira, novembro 27, 2007

Assista três filmes completos de Afonso Brazza!

Tinha que dividir esta descoberta com vocês. Fuçando no Google Video, achei A MORTE ANDA A CAVALO (Da uomo a uomo, 1967), clássico dos SW com Lee Van Cleef e John Phillip Law. Quando fui ver nos vídeos relacionados... GRINGO NÃO PERDOA, MATA de Afonso Brazza completo! Daí digitei o nome deste saudoso autor do cinema popular brasileiro no mesmíssimo site para achar TORTURA SELVAGEM: A GRADE e NO EIXO DA MORTE também completos!! Essa fez o meu dia.

Aproveitem:

GRINGO NÃO PERDOA, MATA



NO EIXO DA MORTE



TORTURA SELVAGEM - A GRADE

domingo, novembro 25, 2007

PLANO NOVE DO ESPAÇO SIDERAL (Plan 9 From Outer Space, 1959, EUA)


O pior filme de todos os tempos? Sem chance, acho ele bem melhor que ZOMBIE BRIGADE (alguém mais teve o azar de ver essa bomba atômica?), BATMAN & ROBIN, PEARL HARBOUR, DEMOLIDOR e outras porcarias. O mestre Ed Wood podia não ter talento, mas a paixão dele por cinema é algo evidente nesta que deve ser a sua obra-prima. O cineasta considerava PLANO 9... como o seu CIDADÃO KANE. Ele não podia estar mais do que certo.

São tantas coisas que fazem de PLANO 9 DO ESPAÇO SIDERAL um clássico absoluto que prefiro ficar na minha, pois tempo é algo que infelizmente não disponho no momento. Vejo ele como um filme essencial que define de maneira perfeita o significado do termo "Trash" e ainda consegue ser "Cult" ao mesmo tempo. Quem ainda não viu ou deseja rever essa maravilhosa e indispensável aula de cinema (hehe), agora pode ver online e "di grátis" por aqui. Cortesia do Google Video.


Tenham um excelente domingo.





Criswell: "Greetings, my friend. We are all interested in the future, for that is where you and I are going to spend the rest of our lives. And remember my friend, future events such as these will affect you in the future. You are interested in the unknown... the mysterious. The unexplainable. That is why you are here. And now, for the first time, we are bringing to you, the full story of what happened on that fateful day. We are bringing you all the evidence, based only on the secret testimony, of the miserable souls, who survived this terrifying ordeal. The incidents, the places. My friend, we cannot keep this a secret any longer. Let us punish the guilty. Let us reward the innocent. My friend, can your heart stand the shocking facts of grave robbers from outer space?"

Policeman: "Suppose that saucer or whatever it was had something to do with this?"
Inspector: "Your guess is as good as mine Larry. One thing's sure: Inspector Clay's dead, murdered, and somebody's responsible."


Trent: "I'll tell you one thing: if a little green man pops out at me, I'm shooting first and asking questions later."

Eros: "Because all you of Earth are idiots!"


Agradeço ao amigo Ronilson Araújo por ter me dado o DVD de PLANO 9 DO ESPAÇO SIDERAL. Com certeza, um dos melhores presentes de Natal que eu já recebi.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Entrevista de Jodorowsky para CartaCapital

Não deu outra, Jodo só botou dentro e com força.

"O MAGO QUE FILMA"

CartaCapital: Seus filmes foram impedidos de circular muito tempo por causa de uma briga com o produtor. Incomoda-o que só agora seu trabalho volte a ser reconhecido?
Alejandro Jodorowsky: Não me dediquei só ao cinema, os caminhos da arte são muitos. Quando se acredita no que se faz, o tempo não conta, nem a morte. Uma paciência infinita passa a habitá-lo. Não me doeu ser ignorado, não me alegra ser reconhecido.

CC: El Topo é tido como um precursor do cinema de baixo orçamento. Diz-se que abriu caminho para nomes como o do cineasta David Lynch. Concorda com isso ou lhe parece soberba?
AJ: Concordo. El Topo inaugurou uma forma de cine independente que se chama midnight movies. Isto está inscrito na história do cinema. Respeite-me, por favor.

CC: É verdade que recomenda estar sob o efeito de alguma droga para assistir a El Topo?
AJ: Eu não me drogo nem recomendo drogar-se. O que aconteceu nos anos 60 é que todos os jovens americanos fumavam maconha. À meia-noite, quando exibiam meu filme no Teatro Elgin, a sala estava submersa em uma nuvem de fumaça de marijuana. Quando estreou A Montanha Sagrada (1973), não havia fumaça, mas não porque não estivssem drogados, e sim porque então consumiam cocaíno e LSD.

CC: Quais foram as suas maiores influências?
AJ: Sou um grande espectador de cinema. Vejo toda noite pelo menos um filme e, tem sido assim durante quase meio século. Admiro não só Federico Fellini, Luis Buñuel e Glauber Rocha, como também muitos outros, ocidentais e orientais. Mas nenhum deles me influenciou. Quis ser diferente de todos e fui.

CC: O senhor ainda usa o método Arica para preparar os atores, com ioga, zen-budismo, tarô, I Ching e drogas alucinógenas? Ou isso faz parte da sua lenda?
AJ: Faz parte da lenda. Houve uma época em que acreditei vencer o ego dos atores. À custa de grandes problemas, me dei conta de que o ego de um ator, além de cheirar mal, é indestrutível. Não há método, por mais sábio que seja, que possa arrancar os atores de seu umbigo.

CC: O senhor diz que seus filmes falam de um inconscientea outro. Como isso é possível?
AJ: É algo que se realiza para lá do intelecto. Não se trata de palavras, mas de sensações inefáveis. Como quer que explique?

CC: Li em um artigo chileno que alguns o consideram um mestre e outros um louco de dar nó... E o senhor, que pensa de si mesmo?AJ: Para que Jodorowsky pensasse algo sobre Jodorowsky teria de dividir-se em dois: o que pensa e o que é pensado. Na verdade, sinto que sou um. Portanto, não sei quem sou.

CC: Como anda seu novo filme, King Shot (previsto para 20090)? Do que se trata?
AJ: Quatro produtores, um canadense, um espanhol, um francês e um sérvio, me pagaram um dólar pela preferência, até setembro, de produzir King Shot. É um spaghetti-gângster metafísico. O cinema vive de projetos que nunca se realizam, mas também existem os milagres.

CC: Do que vive o senhor? Dos quadrinhos, livros, filmes ou das conferências que faz sobre psicomagia e criatividade?
AJ: Não seja indiscreta. Não meta o nariz nos meus bolsos.

CC: Que valor o senhor dá ao dinheiro?
AJ: Muito menos do que a senhora dá a ele.

CC: E a política, lhe interessa?
AJ: Nunca acreditei nas revoluções políticas, sempre nas re-evoluções poéticas.

CC: A psicomagia é a sério ou é uma brincadeira?
AJ: Não banque a jornalista cínica. A senhora sabe muito bem que a psicomagia é uma técnica terapêutica que curou, grátis, uma grande quantidade de pessoas. Está me confundindo com um farsante? Escreveria livros, traduzidos em vários idiomas, só para brincar? Não fique chateada, mas devo dizer-lhe que, a propósito das coisas mais sérias e honradas, as crianças e os ignorantes riem.

CC: Ainda faz cirurgias psicoxamânicas?
AJ: Em muito poucas ocasiões. Agora quem as faz é meu filho, Cristóbal, que acaba de publicar um livro, O Colar do Tigre, narrando essas experiências incríveis.

CC: No documentário feito sobre o quadrinhista Moebius (Moebius Redux), o senhor diz que Stan Lee, criador do Homem-Aranha, é apenas um comerciante, e que os Estados Unidos não o interessam em nada. Nem a geração beatnik?
AJ: Os poetas beatniks foram interessantes por ser os primeiros a sair do armário e proclamar sua homossexualidade. Atualmente, essa poesia está caduca pelo excesso de conteúdo político. Desgraçadamente, a hipócrita economia norte-americana converteu-se no câncer do planeta.

CC: O que o senhor acha que aconteceu com os Estados Unidos dos anos 60 para cá? Pioraram muito, não?
AJ: É um país fundado por bandidos. Nunca mudou. Os ciclones, maremotos tufões, dilúvios, furacões, incêndios, secas e as invasões de insetos e vírus estão se encarregando de castigá-los.

CC: O senhor está bem conservado aos 78 anos, parece mais jovem. Qual é o segredo?
AJ: Confesso que, em fevereiro, vou fazer 79... O segredo é não se aferrar a hábitos, a dependências ou a idéias. Ser um aluno constante, aprendendo sem cessar. E, sobretudo, desenvolver a atenção. É ali, onde centramos a antenção, que nascem o amor e a magia, ou seja, a energia vital.

"De Paris, Jodorowsky falou por e-mail a CartaCapital"

Link: http://www.cartacapital.com.br/edicoes/471/o-mago-que-filma

Agradecimentos a Matheus Cartaxo por ter postado a entrevista na íntegra na comunidade Cinéfilos Doentes no Orkut.

quinta-feira, novembro 22, 2007

Prévias de filmes que prometem

SOB A LAMA DO MANGUE NEGRO



TEETH

O papo de sempre...

- Preciso urgentemente ver OS DONOS DA NOITE. Já de largada, arrisco dizer que trata-se do filme do mês. Não creio que daqui pro final de novembro outro título vá inspirar tanto as discussões e textos lançados pelos cinéfilos brasileiros na Internet. Aham, é isso mesmo que você está lendo, nem OS INDOMÁVEIS deve repetir essa façanha. Recomendo os textos dos comparsas David, Ailton e Ronald para uma boa leitura.

- A nova
ZINGU! já está no ar. Nesta 14ª edição, Matheus Trunk e seus companheiros de batalha saem vitoriosos mais uma vez. O dossiê do mês homenageia o crítico Paulo Perdigão. Sérgio Andrade nos presenteia com mais uma crítica de Biáfora e Marcelo Carrard fala sobre um obscuro filme do grande Joe D'Amato na sua tradicional e coluna CINEMA EXTREMO. Em SUBGÊNEROS OBSCUROS, temos a 1ª parte de um artigo sobre os "Feijoada Westerns", o ciclo do bang-bang brasileiro que poucos já ouviram falar. Anos 60 e 70 não teve só filminho nacional pretensioso não, viu?

- Murilo Lima começou as atividades em seu
STATE OF KUBRICK que (ainda bem...) não fala só de Stanley Kubrick. O blog me conquistou pelo comentário sobre O SILÊNCIO DO LAGO, filme mais do que obrigatório para todos os fãs do cinema de suspense. Leia com carinho e se curtir, coloque nos seus marcadores. Agora só falta o Daniel The Walrus deixar de frescura e abrir logo um blog.

- E isso é tu... tu... tudo, pessoal!

É por essas e outras que Mark L. Lester ainda tem um lugar no meu coração de cinéfilo

Vídeo da "director's cut" de COMANDO PARA MATAR:



Agradecimentos ao André pelo link do vídeo.

domingo, novembro 18, 2007

NOTURNO

Belo curta-metragem paulista de Daniel Salaroli. Nunca uma noite de insônia foi tão bem retratada pelo cinema. Boa noite, meus caros leitores. ;)


A CAIXA (The Box, 2003, EUA)


Não sou mesmo um fã de cinema dos mais "normais". Feriadão é algo muito bacana porque permite que a gente tenha um tempinho a mais para rever alguns filmes que curte. Ao invés de rever um Kubrick, um Roeg ou qualquer outro filme de um monstro sagrado, acabei mesmo foi vendo A CAIXA pela terceira vez. Este "neo-noir" feito para lançamento em vídeo e TV a cabo me agrada bastante. Qualquer filme que não tem receio de ser simples ganha pontos comigo e nisso A CAIXA é exemplar.

James Russo deve ter um de seus melhores desempenhos na pele de Frank Miles, um ladrão que sai da prisão em liberdade condicional que está decidido a cobrar uma antiga dívida do receptor Michael Dickerson (Jon Polito) para com ele. A primeira pessoa que Frank visita é Stan (Brad Dourif) que o tem como seu melhor amigo. Uma verdadeira figuraça, com certeza. Tudo muda quando o protagonista conhece Dora Baker (Theresa Russell), garçonete do pequeno restaurante onde ele toma café todos os dias. Eles saem, se conhecem melhor e nasce um romance entre o casal que só não esperava que o passado fosse tão impiedoso para com ambos. Steve Railsback (uau!) e Michael Rooker fazem os dois homens que farão da vida deles um verdadeiro inferno. Eles e Polito possuem tempo limitado de cena, mas suas participações são marcantes.

Vocês devem ter percebido que o elenco só tem gente boa e essa foi a principal razão para eu arriscar uma conferida. Só pude ficar feliz de ver que o filme era mesmo legal. A direção de Richard Pepin (da extinta PM Entertainment) é tão simples que beira à de um telefilme, mas possui momentos pequenos de pura inspiração, como podemos ver na brutal conclusão. Pepin tem um bom olho no ritmo da narrativa que nunca fica enfadonha e com isso produz a sua pequena obra-prima. Mas o verdadeiro astro do filme é James Russo, que além de protagonista, escreveu o bom roteiro e é co-produtor junto com Pepin. Enfim, a condução é bacana, roteiro, música e fotografia idem e os desempenhos do elenco me agradam muito, com destaque para os três R's: Russo, Railsback e Rooker. Só a Theresa Russell me pareceu fraca em algumas cenas nesta revisão, acho que o Pepin poderia ter tirado mais da capacidade dramática desta ótima atriz.

Outra coisa digna de nota em A CAIXA é ele ser protagonizado única e exclusivamente por pessoas mais maduras. Não aparece um mísero adolescente ou garotos e garotas de seus 15 a 20 anos durante o desenrolar da história. O próprio casal de protagonistas que estão na casa dos seus 50 anos é um achado. E a trama do filme não fica perdendo tempo em surpresas e reviravoltas. Tudo isso e pouco mais fazem deste A CAIXA um filme B de bom. Recomendo ele principalmente para quem curte cinema noir e bons dramas policiais. Tomara que esse textinho motive alguém a procurar por este filme que injustamente está colecionando poeira nas prateleiras das locadoras.

segunda-feira, novembro 12, 2007

PLANETA TERROR (Planet Terror, 2007, EUA)


Há pouco mais de 2 anos, lá estava eu na sala de cinema conferindo SIN CITY, filme que é uma verdadeira adaptação de cinema para quadrinhos. E foi por ter curtido tanto SIN CITY que eu fiquei ansioso para conferir o projeto GRINDHOUSE, onde Rodriguez se une ao seu camarada Quentin Tarantino para reviver o clima do cinema "drive-in" dos anos 70 e 80, principalmente o dos 70. Originalmente, GRINDHOUSE foi lançado como uma sessão dupla com PLANETA TERROR e À PROVA DE MORTE acompanhado dos falsos trailers de MACHETE (dir. Robert Rodriguez), DON'T (dir. Edgar Wright), THANKSGIVING (dir. Eli Roth) e WEREWOLF WOMEN OF THE SS (dir. Rob Zombie). Pena que ele foi mal nas bilheterias e decidiram relançar PLANETA TERROR e À PROVA DE MORTE em versões estendidas. Eu estava mais do que disposto a encarar as 3 horas de filme numa boa no final de tarde deste último sábado.

PLANETA TERROR é divertido demais. Novidades zero, mas tudo é levado na maior descontração. A imagem que não é limpa em momento algum, a película com "falhas" gravíssimas na imagem e som e sangreira aos montes rodo fizeram a minha alegria. Isso sem contar com gente como Bruce Willis, Tom Savini, Carlos Gallardo, Michael Parks e o também produtor Quentin Tarantino no elenco. Mas a cereja do bolo é Jeff Fahey e Michael Biehn fazendo irmãos!! Só mesmo um fã de atores B para fazer uma homenagem a eles e aos outros que foram escalados pro filme. E cá entre nós, eu já senti o meu dinheirinho do ingresso todo pago ao apenas ver alguns deles atuando na tela grande. Valeu a pena demais esperar e ainda ver o glorioso trailer de MACHETE (que deve mesmo virar filme) causar tamanha vibração no público da sala em que eu estava.

Rose McGowan está nada menos que linda. A sua dança nos créditos iniciais ao som da excelente música-tema composta pelo próprio diretor, editor, cinematógrafo, produtor e também roteirista Robert Rodriguez é memorável. O ótimo Freddy Rodriguez se alia a Josh Brolin (perfeito!!), Marley Shelton e Naveen Andrews para compor o elenco principal. Esse último, inclusive, faz um cientista mercenário e terrorista que tem como "hobby" colecionar os testículos de quem sacaneia com ele. Just beautiful. ;)

Como nem tudo são flores, PLANETA TERROR comete duas falhas:

1 - Ele é muito mais o cinema despirocado de ação e terror dos anos 80 e 90 do que o dos anos 70. Até a trilha sonora é predominantemente eletrônica com inegável influência do som de John Carpenter na maioria de seus filmes. Amei ver isso como fã deste cinema barato e divertido que tanto me marcou, mas o projeto se dizia ter mais cara de anos 70 do que qualquer coisa, o que não é verdade. Fiquei um pouquinho desapontado.

2 - Os efeitos especiais são bem feitíssimos demais para um suposto filme B. Nem a PM Entertainmente em seus tempos gloriosos fazia explosões como aquelas. Aliás, Jeff Fahey era figurinha fácil nos filmes desta falecida produtora, fato que reforça o meu pequeno parágrafo escrito acima.

Enfim, PLANETA TERROR é um filmeco B de grande orçamento feito de um fã para outro fã. Ele conta com todos os absurdos e situações inusitadas num roteiro dos mais simplórios que deve agradar em cheio aos apreciadores e aos guris que devem vê-lo através da Internet ou depois em DVD por conta da alta censura de 18 anos. Há cenas repulsivas, mas nada que se compare ao sadismo de A PAIXÃO DE CRISTO do Mel Gibson que recebeu uma classificação menor.

Tirando os efeitos absurdamente bem feitos, PLANETA TERROR é cinema B em estado puro que só teve lançamento garantido nos cinemas por causa dos nomes de seu diretor e de Quentin Tarantino. Simples, alucinado e totalmente despretensioso, tudo o que eu mais queria ver naquelas poucas horas. Do jeito que curti, vai ser difícil esperar até o ano que vem pra ver À PROVA DE MORTE na tela grande. Tomara que o projeto GRINDHOUSE dê sinal verde para boas e pequenas produções do gênero também irem para a tela grande ao invés de serem lançadas diretamente em DVD.

quinta-feira, novembro 08, 2007

O POÇO E O PÊNDULO (The Pit and The Pendulum, 1991, EUA)


Produção da Full Moon dos tempos em que ela fazia bons filmes. Só o fato dela contar com alguém como o nosso querido Stuart Gordon no comando de algumas de suas pérolas já era algo notável. Essa segunda adaptação cinematográfica do famoso conto de Edgar Allan Poe pode facilmente ser considerado como um dos melhores títulos da produtora. Ela conta com um roteiro escrito por Dennis Paoli, que escreveu alguns dos filmes mais memoráveis de Gordon, como RE-ANIMATOR, DO ALÉM, O CASTELO MALDITO e DAGON. Mais recentemente, o roteirista colaborou com O GATO PRETO, episódio da 2ª temporada da série MASTERS OF HORROR e do aguardadíssimo HOUSE OF THE RE-ANIMATOR.

O POÇO E O PÊNDULO se passa na Espanha durante a Inquisição e fala sobre um feliz casal de padeiros vivido por Jonathan Fuller (mais lembrado por ser a criatura de O CASTELO MALDITO) e Rona de Ricci. Mas a felicidade deles dura menos de 15 minutos de filme, pois ambos acabam sendo aprisionados pelo cruel e temido inquisidor Torquemada (Lance Henriksen, brilhante) que se apaixona pela moça e por isso pensa ter sido tentado pelo demônio.

Bela história, não é? E o filme é mesmo tão bom quanto pode se imaginar. Gostei de ver o roteirista e o diretor dando atenção a alguns personagens, apesar do tempo limitado de duração. Isso causa um choque a mais quando se trata de pessoas apresentadas na trama para pouco depois serem torturadas e morrerem violentamente. Gordon não nos poupa de imagens realmente desagradáveis. A cena da língua ficará na memória do espectador por um longo tempo. Pelo menos, a bela Rona de Ricci não se importa de ficar completamente nua em muitas cenas.

O elenco também conta com atores do calibre de Frances Bay, Jeffrey "Dr. Herbert West" Combs e Mark Margolis. Todos eles estão ótimos em seus papéis, mas Lance Henriksen rouba todas as cenas que aparece. Ele faz de Torquemada alguém cruel, amargurado e insano ao mesmo tempo. Um belo desempenho. Quem não gostar do filme, pode até recomendá-lo só por causa da atuação de Henriksen.

Pena que o humor negro característico de Gordon esteja totalmente deslocado no filme. Ele seria mais forte e chocante se não tivesse alívios cômicos de qualquer natureza. Jeffrey Combs é o responsável por grande parte deles e posso adiantar a vocês que esse ator está divertidíssimo como de costume. Eu adoro vê-lo em cena, mas sua personagem é um pouco prejudicial a todo o clima de horror construído durante a produção.


Ah, quase que eu ia me esqueçendo. Quem faz uma inesquecível participação especial em O POÇO E O PÊNDULO é Oliver Reed, como um cardeal que adora uma caninha que é enviado pelo Papa para dar uma dura em Torquemada e suas torturas. Quando vemos Reed levantando a voz para Henriksen, já temos a sensação de que o visitante corre o sério risco de não voltar pro Vaticano. O que acontece a seguir é simplesmente sensacional. ;)

Queria eu que metade dos filmes de terror lançados diretos em vídeo atualmente fossem tão bons como este. Só me falta agora ver a versão de Corman que foi realizada em 1961 e tem Vincent Price e Barbara Steele como protagonistas.

Curiosidades:

1 - Quem faria Torquemada numa produção anterior deste filme pretendida por Stuart Gordon era Peter O' Toole.

2 - O filme foi inteiramente filmado no Castello di Giove localizado na Itália que era (ou ainda é, não faço idéia...) propriedade do produtor Charles Band. Quem reparar direitinho nos cenários, vai notar que O CASTELO MALDITO (Castle Freak, 95) também foi produzido lá.

Agradecimentos a Eduardo e Shunna.

terça-feira, novembro 06, 2007

Os bons tempos definitivamente voltaram!

Trailer de VALENTE:



Trailer de SENTENÇA DE MORTE:



Meu amigo Ronilson me disse ontem que Stallone iria dirigir e protagonizar a refilmagem de DESEJO DE MATAR! E não é que ele não estava curtindo com a minha cara? UAU! O cinema norte-americano foi tão pauzudo em tão pouco tempo!!! É lamentável ter que se contentar em assistir VALENTE só no DVD, mas tomara que SENTENÇA DE MORTE e o novo DESEJO DE MATAR tenham chances nos cinemas brasileiros. Novembro vai ser um mês especialíssimo pra mim: verei não só um, mas dois faroestes na tela grande!

Eu não podia estar mais feliz, amigos(as).

sábado, novembro 03, 2007

1º ZOMBIE WALK RECIFE foi um sucesso!

Eu sou o de camisa preta, da banda Ramones, à direita da foto. Pena que eles tiraram ela logo quando eu não estava fazendo careta hehehe. Seguem abaixo uma matéria (que tirando umas frescurinhas, ficaria bem melhor) e um vídeo sobre o evento.

“Zumbis” invadem o Centro do Recife
Publicado em 03.11.2007

“Mortos-vivos” desfilaram pela Conde da Boa Vista, ontem, na primeira manifestação no Estado do movimento Zombie Walk. Evento reúne gente fantasiada para sair às ruas. Teve até zumbi sem-terra.

Schneider Carpeggiani

carpeggiani@gmail.com

É impossível não lançar mão do trocadilho: quem é vivo sempre aparece, mas quem é morto (às vezes) desfila. E os mortos-vivos desfilaram pela Conde da Boa Vista, ontem à tarde, na primeira versão recifense do Zombie Walk em pleno Dia de Finados (nada mais apropriado). A idéia é simples: reunir um monte de gente para sair às ruas fantasiada de zumbi. E qual a razão dessa inusitada caminhada? Estar morto teria alguma função, hummm, social?

“Claro que não, zumbi não tem função. É mais ou menos quando você acorda de manhã, não sabe o que está acontecendo, mas precisa levantar”, “filosofa” Leonardo Lima, um dos organizadores do evento. Cerca de 100 zumbis bateram ponto no evento.

A concentração da Zombie Walk rolou na Praça do Derby, onde os “novos” mortos tiveram como dar um trato no visual e “retocar” o vermelho dos “ferimentos”, num salão de beleza às avessas. A animação do evento era feita pela caixa de som de uma bicicleta(!), a byke som, que tocava de tudo um pouco: variações do metal, Marylin Manson e versões de Madonna. Os zumbis teriam alguma trilha sonora específica? “Eu estou aqui porque eu gosto de rock alternativo. A gente escuta tudo, não tem preconceito. Aqui somos diferentes dos punks de São Paulo, que são violentos. Nossa idéia de alternativo é diversão”, defendeu o “movimento” Rodrigo “Sushi”, 16 anos, estudante, DJ e, segundo o próprio, “também sou emo, pode colocar aí”.

No mundo dos zumbis, vale de tudo. Até manifestação política. Foi o caso de Carlos Henrique, que alegou “106” anos de morte e foi fantasiado de MST, com uma foto do presidente Lula na camisa. “Sou do MST até a morte”, confundiu-se o “manifestante” que, ideologicamente na tarde de ontem, morto já estava.

O designer e jornalista Eduardo Sampaio, 24 anos, é o criador da comunidade Zombie Walk do Recife no Orkut. “A Zombie Walk surgiu no Canadá. Em qualquer dia a gente pode sair de morto pelas ruas”, explicou esse über morto-vivo.

A Zombie Walk seguiu pela Boa Vista, parou carros, ônibus e transeuntes e seguiu até o Marco Zero. O auge foi quando rolou o hino maior dos mortos-vivos, Thriller, de Michael Jackson, que suscitou várias coreografias sobre o asfalto. Só uma reclamação: o povo estava desfilando rápido demais para quem acabara de morrer.

Primeiro vídeo com imagens do evento:

Agradecimentos a Eduardo, Leonardo, Ramona, Funérea, Thiago, Bob, Van e a todas as outras figuras que fizeram parte desta inesquecível caminhada com os zumbis mais sorridentes e alegres que já saíram de suas macabras covas no cemitério! :)

terça-feira, outubro 30, 2007

GANGUES DO GUETO ('R Xmas, 2001, EUA)

Tenho certeza de que GO GO TALES fará bonito na Mostra SP, a julgar pelo seu belíssimo filme anterior intitulado MARY. É... eu sou fã confesso de Abel Ferrara. O amigo Fernando Vasconcelos sabe disso e me ligou no domingo dizendo que veria os novos de Ferrara e Cronemberg só pra me deixar com uma pontinha de inveja hehe. Mas não tem problema, já sinto que este 2007 foi especial por também ter visto BUG na tela grande. Ele e MARY são duas obras marcantes de diretores que admiro por sempre chamarem a minha atenção como poucos.

Na noite deste mesmo domingo, assisti 'R XMAS no conforto do meu quarto. Ninguém merece ficar dizendo o título nacional ridículo que este filme recebeu, né? Pelo menos, ele foi lançado por aqui e posso dizer que a qualidade de imagem e som do DVD nacional da Europa Filmes está excelente. Consegui pegar o disquinho original dele e de mais alguns outros filmes bacanas, curiosos e toscos por 5 reais num saldão que uma locadora próxima de casa tem feito. Peguei altos que queria ter na coleção e nunca tive chance antes. O dia chegou! :)


'R XMAS é o filme de Natal do Abel Ferrara. Ele se passa nas proximidades da véspera desta data comemorativa em Nova York no início dos anos 90, antes do primeiro mandato de Rudy Giuliani. A cena de abertura (em sépia, ainda por cima) parece sair de um filme típico de Natal, nos moldes das adaptações do clássico UM CONTO DE NATAL de Charles Dickens. Daí o espectador nota que estamos vendo uma peça natalina encenada pelas crianças de uma escola e o pai de uma garotinha (Lillo Brancato Jr., do belo DESAFIO NO BRONX) todo entusiasmado ao filmar ela com sua câmera caseira. O pai, a mãe (Drea de Matteo, de FAMÍLIA SOPRANO) e a filha que tanto se amam saem para fazer compras no shopping. Depois de deixarem a criança com a avó, o casal vai para um pequeno apartamento suburbano e temos então uma surpresa: eles são traficantes de drogas.

Não vou falar mais para entregar outras boas cartas na manga que o filme tem. No trailer, vemos o momento em que Ice-T entra em cena, mas na minha opinião ele não deveria ter sido revelado. O impacto e surpresa que eu sentiria só me faria ter gostado mais da produção. 'R XMAS não é um Ferrara como muitos esperam por ele buscar uma narrativa mais simples e objetiva do que de costume. Esse filme não tem as cenas fortes de sexo e violência costumeiras do diretor, mas não se preocupem que a tradicional cena do protagonista entrando numa igreja católica para se redimir dos pecados está presente.

Ferrara faz mais um belo estudo de personagens, mesmo que desta vez eles não sejam mais desenvolvidos do que em outros de seus filmes. O personagem de Victor Argo, por exemplo, poderia ser melhor explorado. Mas isso pode ser até bom, pois não existe qualquer vestígio de julgamentos morais aqui, quem os pode fazer é o espectador. Repararam que não citei nomes de personagens até agora? É porque no próprio filme a maioria deles não tem identificação.

Existem pessoas que se decepcionaram com o filme por pensar que ele humaniza os traficantes de drogas. Eu não penso assim. Creio que Ferrara quis mostrar que aquele simpático vizinho do nosso prédio ou da nossa rua que todo dia passa pela gente e nos deseja um boa noite na volta pra casa pode viver no mundo do crime. Nada de pobrezinhos dentro de guetos e favelas que não tiveram melhores condições de vida e nem um caminho melhor a seguir.

Dignas de nota também são a direção de fotografia de Ken Kelsch (parceiro do diretor em títulos como OS CHEFÕES e VÍCIO FRENÉTICO) e a trilha sonora de Schooly D que colaboram e muito para a criação do clima de imprevisibilidade e estranheza feito por Ferrara em cenas nos subúrbios nova-iorquinos. Se o roteiro fosse um pouquinho mais revisado, 'R XMAS seria ainda melhor. Trata-se de uma pequena surpresa vinda de um puta diretor que alguns dos seus próprios fãs desconhecem. Vale conferir.

Editado em 31/10/07 às 10:50

segunda-feira, outubro 22, 2007

Todos os três teasers de TRASHIX!







Um filme de Matheus Mota (Bafo Movies), Trashix é aclamado por fãs como a grande promessa do cinema amador brasileiro. Longa metragem Hi-Trash, conta as desventuras de um jovem vendedor de filmes pornôs e sua busca pelas verdades do país afundado num submundo escondido por uma realidade gerada por máquinas. A matrix do Brasil!

comunidade do orkut
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=34515653

domingo, outubro 21, 2007

Andy Garcia tem um memorável encontro com Christopher Walken

Cena do filme COISAS PARA SE FAZER EM DENVER QUANDO VOCÊ ESTÁ MORTO, de Gary Fleder.

Valeu pelo link, Daniel The Walrus!

sábado, outubro 20, 2007

Gente fina é outra coisa

Mesmo tão ocupado, Fred Olen Ray respondeu em menos de dois dias um simples e-mail que eu mandei a ele. O principal motivo da mensagem era dizer que eu tinha publicado a foto dele com o Udo Kier por aqui junto com os links do seu site pessoal e o da Retromedia. Só que eu não pude deixar de dizer que ele era um dos meus diretores de filmes B favoritos e ainda comentar rapidamente sobre alguns dos filmes dele que mais curti como um sincero fã desse estilo de realização.

Fred foi atencioso em sua rápida resposta. Agradeceu carinhosamente pelo link do meu blog, mesmo que ele não tenha conseguido ler uma mísera linha do que escrevo, e me contou uma novidade que não vi em canto nenhum. Nas palavras do próprio:

"I'm currently shooting a disaster film called POLAR OPPOSITES."

Yeah!! Será que eu conseguirei fazer uma pequena entrevista com o Fred via e-mail?

Duas entrevistas:


http://www.badmovies.org/interviews/olenray/

http://www.emvg.net/interviews/fredolenray.php

Seu último lançamento... ;)


Van Damme como Anthony Stowe em ATÉ A MORTE

O astro belga completou 47 anos na última quinta-feira, 18 de outubro. Ele ainda está inteiraço e mostrando que é ator de verdade desde 2003 com IN HELL, ao invés de se rebaixar ao nível de Steven Seagal e cia. Estou ansioso para conferir o resultado final de THE SHEPHERD, onde ele contracena com ninguém menos que Scott Adkins. Como o diretor é Isaac Florentine (O LUTADOR), creio que porrada de qualidade não vai faltar no filme. Torço para que este vá aos cinemas, já que ATÉ A MORTE e VINGANÇA me deixaram mais satisfeitos do que muitos filmes de ação feitos para exibição na tela grande.

Parabéns, Van Damme!

quarta-feira, outubro 17, 2007

Avisos

- Estou na contagem regressiva para acompanhar a cobertura da Mostra SP feita através do meu brother Fernando Vasconcelos no KINEMAIL BLOG. Ano passado eu estava numa correria tão forte que acompanhava o blog e pensava que já tinha recomendado ele por aqui pra vocês, mas desta vez eu não deixei passar. Os comentários de Fernando sobre vários dos filmes que ele assistiu naquele período continuam onlines para quem quiser ler.

- César Almeida através do
B MOVIE BOX CAR BLUES está passando a caneta em todos os quatro filmes da marcante série BLIND DEAD que foi dirigida por Amando de Ossorio. Esses títulos são muito importantes para o cinema de terror, mas infelizmente eles também são pouco conhecidos pelos próprios fãs do gênero! Digo isso por experiência própria, só depois de muito tempo vendo filmes de terror é que fui saber que os Zumbis Templários existiam. Como vocês viram no post de segunda-feira com cotação dos filmes que vi no feriado, assisti o primeiro da série e achei demais. Assino embaixo o texto do César sobre o filme. Não é exagero nenhum de minha parte dizer que os Zumbis Templários são uma das coisas mais assustadoras e criativas que vi na vida.

- Fui convidado para participar da 2ª edição do HERÓIS: DOS QUADRINHOS PARA AS TELONAS, organizado pelo site
CINE FLASH. O evento foi um sucesso no semestre passado e a Livraria Saraiva do Shopping Recife sediará ele novamente. Não sou muito ligado em quadrinhos, mas como fã de cinema e apreciador de algumas adaptações eu espero colaborar legal no debate junto com os outros participantes para o evento ser ainda melhor do que o anterior.

Mais informações:
http://www.pernambuco.com/fanzine/071015/miscelanea.html

Só não entendi ter sido chamado de crítico especializado (!!!!), mas se já saiu no jornal assim, quem sou eu pra discutir? rs.

Abraços a todos.

Não é qualquer diretor que tem uma foto dessas no álbum


Udo Kier e Fred Olen Ray no set de PROGRAMADOS PARA MATAR (Critical Mass, 2000), um dos filmes que me fizeram ser viciado em produções picaretas.

Visitem também o site oficial de Fred e o da sua distribuidora Retromedia

Post inspirado pelo blog CINE GROOVE de Ronald Perrone

segunda-feira, outubro 15, 2007

Filmes do feriadão


CRIMES NO PARAÍSO - *** e 1/2
O BOM PASTOR - ***
O VIDENTE - **
TOMBS OF THE BLIND DEAD - ****
A ORGIA NOTURNA DOS VAMPIROS - ***

Revisões:

TROPA DE ELITE (no cinema...) - **** e 1/2

SEGREDOS DE FAMÍLIA - *** e 1/2

Livros...

A VI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco chegou ao fim ontem. O que é sempre legal nessas feiras literárias é que há várias promoções e até mesmo uma pessoa que não pode gastar muito acaba saindo com algo bacana debaixo do braço na hora da saída. Tinha era coisa boa de R$ 3,00 a R$ 15,00. Isso fora os outros livros mais badalados como O CÓDIGO DA VINCI que estavam sendo oferecidos por R$ 19,90 num stand. Eu mesmo procurava as duas belezinhas que ilustram o post acima por um bom tempo, mas a oportunidade chegou e não desperdicei. Juntas, elas custaram apenas R$ 14,00. A vontade que tinha era de comprar mais, inclusive notei A OUTRA FACE DE HOLLYWOOD: FILME B por 28 reais só em um dos expositores. Como já tinha visto por aí custando menos e nem estava com a grana disponível, deixei pra lá. Um dia ponho as mãos nele, assim como no já cobiçado livro do Rodrigo Pereira e cia. sobre Anthony Steffen.

PS: Os DVD's que fazem companhia aos livros na foto são DJANGO, TEMPO DE MASSACRE, O DÓLAR FURADO, O RETORNO DE RINGO, BEIJOS E TIROS, TERRA FRIA (veio no meio de uma troca com muitos de uma vez, fazer o quê? rs), O MATADOR (aquele com o Pierce Brosnan) e QUATRO IRMÃOS.

domingo, outubro 14, 2007

Van Damme é o cara!!!


Você ainda tem dúvidas disso?

Agradecimentos ao Daniel The Walrus pelo link.

O VIDENTE (Next, 2007, EUA)

Ohhh, a gente viu LARANJA MECÂNICA!

Já está na hora de Lee Tamahori voltar a fazer filmes na Nova Zelândia e respirar outros ares, pois este O VIDENTE é mais outro filme descartável que ele faz em Hollywood e mais um que desperdiça o nome de Philip K. Dick. Os roteiristas Gary Goldman, Jonathan Hensleigh (sim, o mala que fez do THE PUNISHER o anti-herói mais fresco de todos os tempos!) e Paul Bernbaum simplesmente pegaram um conto do escritor, colocaram de base e fizeram todo um roteirozinho cheio de clichês e mais clichês a partir dele. Confesso que nunca li nada do autor, mas estou certo de que seja impossível reconhecer qualquer coisa da sua obra aqui.

E Nicolas Cage não tem mais jeito. Se o cara continuasse aos passos de filmes como os recentes O SENHOR DAS ARMAS e O SOL DE CADA MANHÃ ao invés de apelar pra A LENDA DO TESOURO PERDIDO e O SACRIFÍCIO, a sua carreira seria outra coisa. O VIDENTE está entre os últmos, mas pelo menos posso dizer que ele é assistível.

Cage - usando a peruca de Tom Hanks em O CÓDIGO DA VINCI - "interpreta" Chris Johnson, um mágico que faz os seus showzinhos em Las Vegas e que tem o poder de ver o que acontece a ele 2 minutos antes do fato realmente acontecer. Isso até o dia em que ele vê uma garota (Jessica Biel, linda como sempre) passando pela porta da lanchonete em que está e espera ela chegar, mas isso não ocorre. A agente do FBI Callie Ferris (Julianne Moore, desperdiçada outra vez) passa a perseguir Johnson por saber que ele tem o tal poder, pois uma bomba nuclear armada por terroristas está prestes a explodir em Los Angeles e matará muita gente, incluindo o próprio.

- Jessica, a razão do filme existir é esse sarro.

Não se sabe como e nem é explicado como o FBI sabe dos poderes de Johnson. Como é que uma instituição daquelas passa a depender única e exclusivamente de uma pessoa? Qual é a motivação dos terroristas? Essas são só as primeiras de muitas crateras de roteiro que nos são jogadas na cara até o final do filme. Além de Moore, atores do nível de Thomas Kretschmann e Peter Falk também são vítimas do desperdício de talentos. Kretschmann faz um dos vilões mais patéticos e mal-desenvolvidos que eu já vi e Falk tem uma participação mínima de menos de 3 minutos em cena num papel que não faz a menor diferença para a trama.

Mas entre os filmes ruins que vi este ano, O VIDENTE consegue divertir. Pelos motivos errados, lógico. A já mencionada peruca de Tom Hanks é um deles e os (d)efeitos de CGI são uma palhaçada. Tem uma cena inacreditável em que Nicolas Cage está descendo um morro numa cena de perseguição e uma porrada de coisas caem perto dele. É carro, é pedra do Indiana Jones, é tronco enorme de madeira e por aí vai. Eu jurava que o cara ia soltar um JOGA A MÃE!!

Muitos acharam o final uma covardia, mas eu não. Pensem um pouquinho que vocês poderão achá-lo até engraçado como eu achei.

No lugar dele, veja:


SCREAMERS - ASSASSINOS CIBERNÉTICOS (Screamers, 1997) é uma daquelas pérolas que colecionaram poeira nas prateleiras das locadoras de VHS dos anos 90 e que até hoje continuam obscuras. Alguém deveria lançar logo este trabalho muito bacana do canadense Christian Duguay em DVD para os fãs de ficção científica apreciarem mais uma boa produção que faz jus ao nome de Philip K. Dick. Fazem mais de 4 anos que o assisti, mas sinto que posso recomendá-lo sem medo por aqui. Destaque para o ótimo Peter Weller no elenco, um ator que ficou tão marcado por ROBOCOP quanto Bela Lugosi por DRÁCULA. Pelo pouco que me lembro, é um puta filme.

sexta-feira, outubro 12, 2007

TRASH FIGHTERS

Feliz Dia das Crianças atrasadinho!!

quinta-feira, outubro 11, 2007

Como previ, a semana tá punk rock hardcore mesmo!! Provas, trabalhos. Provas, trabalhos. Provas, trabalhos. Essa é a minha rotina esses dias. Mas consegui aparecer aqui para falar um pouco com vocês e passar alguns recadinhos. Let's go!

- O mano Thales Oss voltou a postar no seu
CINE DELÍRIO depois de um bom tempo. O post que marcou o retorno foi de nível: um comentário sobre o clássico NA MIRA DA MORTE (Targets, 1968) de Peter Bogdanovich.

- Todo mês eu estou vindo falar aqui com um certo atraso das atualizações da gloriosa
ZINGU!. Hoje eu faço isso novamente, mas não tão atrasado assim. É uma vitória!! Brincadeiras à parte, todos devem saber que não é de propósito. Sempre tem algo me impedindo de chegar junto do meu PC na calma e escrever algo sobre o puta trabalho que aquele pessoal vem desenvolvendo. E a edição deste mês está imperdível. Não digo isso só porque eles estão fazendo o aniversário de 1 ano de atividade, o que não deixa de ser uma grande conquista, mas a verdade é que a qualidade do conteúdo desta nova edição continua extraordinária. Além de todas as coisas boas que a revista virtual sempre nos traz, o destaque da ZINGU! número 13 é a inacreditável e já antológica entrevista com Sady Baby. Sim, isso mesmo! Aquele Sady Baby que cometeu NO CALOR DO BURACO, EMOÇÕES SEXUAIS DE UM JEGUE e muitos outros clássicos da Boca do Lixo. Preciso conhecer essa obra antes de partir desta pra melhor hehe. Olha só uma das pérolas que o cara soltou:

"Só pra resumir: se digamos eu tivesse que morar no Morumbi e sair de BMW todo dia e comendo buceta o dia inteiro e não fazer o que eu gosto, eu prefiro morar num quarto de uma pensão, andar de bicicleta e fazer o cinema que eu gosto."

Não é por pouco que virou mania de minha parte falar bem da
ZINGU! todo mês. E nem pensem em ficar sem ler o Manifesto escrito pela companheira Andrea Ormond, ok?

Abraços e até a próxima atualização.

Rose McGowan poderá ser a próxima Barbarella

Gostei muito da notícia, Sr. Rodriguez. Mas SIN CITY 2 que é bom até agora nada, né?

domingo, outubro 07, 2007

Quem fala tem que ouvir!

A declaração:

"Meu sonho é que alguém comece a vender BLINDNESS como fizeram com TROPA DE ELITE." - Fernando Meirelles

A resposta:

"É fácil. É só ele pegar a primeira montagem do filme e entregar a um camelô." - José Padilha



NE: Inspirado no mais recente post de Leandro Caraça no VIVER E MORRER NO CINEMA. Meu antenado parceiro da blogosfera também dá destaque a uma das melhores coisas que eu li sobre cinema durante todo o ano (embora não concorde em tudo...), um belo, sincero e direto texto de Carlos Reichenbach publicado em 30/09/07 no jornal O GLOBO. É sempre muito bom ver alguém como ele dando a sua valiosa opinião.

Vampyros Lesbos Sexadelic Dance Party

http://rapidshare.com/files/38359574/nnmmVamLesSexDanPar.zip

Info:
http://www.moviegrooves.com/shop/vampyroslesbos.htm

Valeu,
Eduardo!

THE DEVIL CAME FROM AKASAVA (Der Teufel kam aus Akasava, 1971, GER/ESP)


Primeiro filme do Jess Franco que comento aqui. E é por causa disso que esperei um tempo até por as mãos em um filme dele com a Soledad Miranda. Todos os fãs de Franco e de cinema exploitation em geral comentam a respeito da beleza dela. Bom... eu não me encantei tanto como eu pensava, mas ela era mesmo muito bonita e tinha presença em cena. Digo isso porque infelizmente Miranda morreu muito jovem em um acidente de carro aos 27 anos de idade. THE DEVIL CAME FROM AKASAVA ainda estava em fase de pós-produção quando o lamentável ocorrido aconteceu. Na versão espanhola, o filme é dedicado em sua memória.

Soledad Miranda interpreta uma agente secreta que recebe a missão de investigar o roubo de uma poderosa pedra capaz de transformar metal em ouro e matar ou fazer com que pessoas virem zumbis. Sim, essa última nunca é explicada direito. Estamos falando de um filme do Jess Franco, oras! hehe. Para o nosso deleite, a personagem de Miranda se disfarça como uma dançarina de clube noturno, ou seja, ela paga peitinho. A partir daí, tudo é puro pretexto para entrarem mais e mais personagens na história que por si só já era sem o menor sentido. Tome gente aparecendo a cada 10, 15 minutos de filme, incluindo o próprio Jess Franco como um agente secreto italiano (!!!), Paul Muller fazendo um médico que entra e sai de cena sem fazer a menor diferença e Howard "Dr. Orloff" Vernon no papel de um assassino profissional.



Vendo na esportiva, THE DEVIL CAME FROM AKASAVA não irrita e é um pequeno e divertido programa para os fãs de Eurotrash. Franco manda ver mesmo em alguns dos zooms mais pirados que já tive a oportunidade de ver. Nem Paul Greengrass na série Bourne chega perto! Existem alguns pequenos momentos dignos de nota como no final onde um personagem sai correndo com uma maleta no jardim de uma casa para no mesmo corte ele aparecer desta exata maneira indo para um avião. Detalhe: a música também muda no momento da transição. Coisa de gênio!!

E já que falei de música, saibam que a trilha sonora é uma delícia. Vou tratar de procurá-la nos blogs de trilhas na Internet. Clique aqui para baixar a música-tema e ficar com um gostinho de quero mais. ;)

PS: A minha primeira colaboração no espaço CEMITÉRIO DAS VHS do blog B MOVIE BOX CAR BLUES já está no ar. Falo sobre TORNADO, uma das pérolas esquecidas do cinema de guerra italiano. E para quem tiver curiosidade, lá também tem uma foto de minha sorridente pessoa ao lado do meu amigo César Almeida que edita o B MOVIE... e o mais do que considerado DOLLARI ROSSO. Visite, comente e dê a sua opinião. Me achou feio bagarai? Ótimo, mas não deixe de me ler só por causa disso, ok? hehe.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Charles Bronson fazendo um comercial japa de desodorante

Só vendo pra crer!



PS: No orkut, um rapaz chamado Gustavo Fernandes disse na comunidade CHARLES BRONSON que saiu pela Spectra Nova um box com os 5 filmes da série DESEJO DE MATAR. Ele falou que viu o produto numa loja física das Americanas. Gustavo não conseguiu achar link para alguma loja virtual, mas eu também tentei e o mesmo aconteceu comigo. O preço? R$ 39,90!! Isso mesmo, menos de 10 reais por disco! Mais alguém achou, comprou ou sabe como está a qualidade??

NOTÍCIA CONFIRMADA hoje dia 06/10! Uma amiga comprou o box por um preço menor ainda, R$ 35,00!!

THE JOE PESCI SHOW!!

Quem leu a caixa de comentários do post com vídeos dos Roxbury Brothers, viu a minha pessoa lamentando por não ter achado nada do THE JOE PESCI SHOW. Hoje de manhã, o amigo Daniel The Walrus me deu a alegria de ver novamente três vídeos deste que era o meu quadro favorito de todo o SATURDAY NIGHT LIVE. Ele fazia parte das temporadas de 1995 e 1996 da série onde o ótimo Jim Breuer encarnava Joe Pesci como um invocado apresentador de talk-show. Simplesmente hilário. Aí vão os impagáveis vídeos impagáveis que mostram o quanto tudo aquilo era muito bom. Eles não representam apenas grandes momentos do quadro, mas também de todo o SNL. Valeu, Daniel-san!

Alec Baldwin fazendo Robert De Niro



Jim Carrey como James Stewart



Uma visita inesperada

domingo, setembro 30, 2007

Batendo um papo e deixando uns avisos...

- Pessoal, essas últimas semanas não tem sido brincadeira. A faculdade está me perturbando o juízo (como se ele já não fosse perturbado rs) com tantos trabalhos a entregar e ainda vou entrar em semana de prova. Além disso, ainda estou fazendo alguns pequenos cursos para aumentar o meu currículo enquanto não arranjo um estágio ou um emprego. É coisa pra dedéu. Por causa de tudo isso que o VÁ E VEJA deu uma sofridinha nas atualizações. Mas até que elas estão um pouco melhores do que antes, não é? Tinha vezes que eu publicava uma resenha para só duas semanas depois voltar com outra. Isso é algo que nunca mais aconteceu por aqui, ainda bem. Toda semana tem dado para eu jogar um conteúdo novo por aqui, mas o volume de atualizações irá dar uma caída esses dias. Daqui para sexta, prometo entrar em contato com vocês novamente além da tradicional caixa de comentários nos posts. Continuarei a respondê-los na medida do possível e espero contar com a compreensão de todos.

- Fiquei muito feliz ao ver dois amigos saindo do Estado que residem para fazerem bonito em outros. Meu amigo Luiz Joaquim está fazendo a cobertura do Festival do Rio em seu CINEMA ESCRITO. Você já pode ler a sua opinião sobre À PROVA DE MORTE (Death Proof, 2007) e muitos outros filmes. E o nosso companheiro Marcelo Carrard está junto com uma galera sensacional em Porto Alegre participando do FANTASPOA, sem esquecer de atualizar o seu MONDO PAURA com as últimas novidades do evento pelo seu ponto de vista. A programação deste festival está de uma excelência ímpar. Um dia eu apareço nos dois.

- Quem está curioso para ver o que o astro Anthony Steffen tem a dizer no "Anthony Steffen - A saga do brasileiro que se tornou um astro do bangue-bangue à italiana" de Daniel Camargo, Fabio Vellozzo e Rodrigo Pereira, faça o favor de dar uma visitada no blog VIVER E MORRER NO CINEMA do amigo Leandro Caraça para ler dois singelos trechos do livro. Eu já pensava que seria legal ter um exemplar dele na minha prateleira, mas agora sei que preciso tê-lo. Tenho certeza que as páginas "voariam" e eu iria acabar a leitura em menos tempo que imagino. Sem dúvidas, esse é um dos melhores lançamentos literários do ano!

- Um ser apelidado de Mariachi passou a visitar e comentar o VÁ E VEJA há poucos meses, principalmente nos posts sobre cinema classe B. Ele tem um blog bem interessante chamado CONTATOS IMEDIATOS, mas agora mostrou que é da galera ao criar o INFERNO CINEMATOGRÁFICO. Ontem mesmo foi postada uma resenha sobre o crássico OPERAÇÃO KICKBOXER (Best of the Best, 1989), filme estrelado por gente do naipe de Eric Roberts, Chris Penn, Phillip Rhee e James Earl Jones e com direção de Robert Radler. Confira!

Abraços aos cuecas de plantão, beijos para as moças e até a próxima.

sábado, setembro 29, 2007

TRAMA DIABÓLICA (Sleuth, 1972, ING)


A primeira vez que eu vi TRAMA DIABÓLICA foi durante um período de férias na minha adolescência. Aí eu vivia dormindo de tarde para ficar acordado a madrugada toda vendo e gravando fitas e mais fitas VHS sem comerciais. Foi assim mesmo que conheci obras como BULLIT, DIRTY HARRY e dois filmes do De Palma que são responsáveis por muita coisa do meu gosto hoje em dia: SCARFACE e A FÚRIA. Minhas fitinhas faziam sucesso entre a gurizada, tanto que acabei perdendo algumas depois. Fiquei puto quando percebi o "sequestro", mas depois pensei que mais pessoas poderiam ver aqueles filmes que eu tanto gostei além dos "raptores". Por causa dessa minha santa ingenuidade na época, deixei tudo pra lá pensando que seria mais fácil pegar alguns filmes de novo nas locadoras para copiá-los novamente. Mal completei 16 anos e fiquei desesperado por ver as minhas principais fontes de cultura cinematográfica fechando as portas nos subúrbios que elas se localizavam. Ainda bem que eu consegui recuperar altas coisas daqueles tempos na minha coleção.

Se bem me recordo, assisti a esta pérola com Laurence Olivier e Michael Caine numa madrugada de domingo para segunda na Band e com legendas em português. Foi o bastante para considerá-lo como um dos meus filmes favoritos. Me deliciei com ele do início ao fim, mesmo tão jovem e sem entender direito uma coisa ou outra por causa do sono que estava vindo, mas eu insisti em ver aquele filme até o fim. E como valeu a pena! Foi numa muito recente solitária e preguiçosa sessão doméstica de domingo que tive a companhia de Olivier e Caine novamente durante aproximadas 2h20 de puro encantamento cinéfilo.

Que maravilha de filme é TRAMA DIABÓLICA. A excelência do roteiro de Anthony Shaffer (simplesmente, o autor de O HOMEM DE PALHA e FRENESI) baseado na peça do próprio é inegável e Joseph L. Mankiewicz estava inspiradíssimo na direção deste seu testamento cinematográfico. O filme é a união de dois seres que possuem o poder de ler uma lista telefônica e deixar a gente de boca aberta com duas mentes abençoadas que nasceram para contar e criar histórias.

Na produção, o jovem Milo Tindle (Michael Caine) é convidado pelo premiado escritor Andrew Wyke (Laurence Olivier) para passar uma tarde na sua mansão e resolverem assuntos pendentes. Milo é nada menos que o amante da esposa de Andrew. Não demora muito para que ambos travem com o outro um autêntico e maligno duelo de egos, inteligência, poder e masculinidade. A nós, simples mortais, só resta acompanhar com prazer o desenrolar deste surpreendente jogo de gato e rato.


Nada é o que parece em TRAMA DIABÓLICA, um daqueles raros filmes onde tudo funciona que é uma beleza. A direção de arte também deixa o expectador deslumbrado, pois a decoração na mansão do Andrew se revela estranha e conservadora ao mesmo tempo. Aqueles bonecos por si só chamam a nossa atenção. A memorável trilha sonora de John Addison complementa muito bem todo o clima irônico do filme e a cinematografia de Oswald Morris é um arraso.

Vou chover no molhado e dizer mais uma vez que o texto do Anthony Shaffer é brilhante. Com excelentes reviravoltas e tantos diálogos afiadíssimos, o fã de cinema só pode ir ao delírio. E eu não consigo imaginar melhores atores do que Caine e Olivier para representar aqueles dois personagens tão maquiavélicos.

Mas eu só sei de uma coisa. Depois de TRAMA DIABÓLICA, tenho a mais absoluta certeza que você vai passar a entender como poucos o significado da expressão "quem ri por último ri melhor".

PS: O filme ganhou uma refilmagem recente do cineasta Kenneth Branagh com Jude Law fazendo o papel de Michael Caine e com Caine no lugar de Laurence Olivier. Estou curioso, embora com o pé atrás ao mesmo tempo pela sua curtíssima duração de 86 minutos. O título nacional é o vergonhoso UM JOGO DE VIDA OU MORTE e a produção será exibida na MOSTRA BR DE CINEMA em São Paulo deste ano.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Aphex Twin - Come to Daddy

A obra-prima de Chris Cunningham.
Genial, perturbador, sinistro, inesquecível.

Cronemberg e Lynch devem sentir orgulho desta cria.

MARCEL MARCEAU

segunda-feira, setembro 24, 2007

TELA CLASS: GARRAS DE BAITOLA

Eu só fui ver isso semana passada e ri demais. Os caras do Hermes e Renato desta vez pegaram GARRAS DE ÁGUIA (Talons of the Eagle, 1992), uma tralha daquelas que só poderia ter sido feita no "boom" dos filmecos de ação feitos pra vídeo. Eles simplesmente esculhambaram geral aquilo que já era esculhambado por si só. No elenco, os meus queridos Jalal Merhi, Billy Blanks, James Hong e Matthias Hues!

Partes 1 a 3 abaixo:






domingo, setembro 23, 2007

SANTIAGO: UMA REFLEXÃO SOBRE O MATERIAL BRUTO (2007, BRA)


O cinema de documentário não está muito presente aqui no blog, talvez pelas minhas tentativas de me afastar um pouco de filmes mais secos e realistas esses tempos. Penso que é nesse gênero onde nós temos vários contatos inesquecíveis com cenas ou personagens da vida real. Mas isso apenas ocorre nos bons filmes, lógico. Desgraças como O SEGREDO só servem para denegrir o estilo.

Antes de qualquer coisa, gostaria de dizer que não tenho a mínima aproximação com os documentários do João Moreira Salles. Esse foi o primeiro deles que assisti e creio que ele deva ser um dos filmes mais difíceis que eu vi desde que abri o VÁ E VEJA. A primeira oportunidade que pintou para falar sobre ele foi na caixinha de comentários de um dos últimos posts do DIÁRIO DE UM CINÉFILO, querido blog mantido pelo meu comparsa Ailton Monteiro. Lá, eu disse que SANTIAGO ainda estava em processo de digestão desde quando o vi na tarde da última segunda-feira e que ele era um belo filme. Mas mencionei também de que o documentário poderia ser recebido com indiferença por algumas pessoas, apesar dele ser realmente bom.

João Moreira Salles queria fazer um filme sobre Santiago Merlo, o mordomo da família Salles que o acompanhou durante parte da sua infância até ele virar adulto e sair de casa. Ele passou 5 dias filmando esse sereno, sincero e gentil senhor em 1992, no pequeno apartamento onde morava no bairro do Leblon. Santiago colecionava algo muito especial: a sua escrita. Como vemos no filme, o aposentado mordomo tinha cultura de sobra e ainda se orgulhava da capacidade que ainda tinha de memorizar as coisas com sua idade já um pouco avançada. Resumindo, trata-se de um personagem impressionante.

Salles também filmou cenas adicionais em estúdio, mas não conseguiu terminar dar uma conclusão ao filme. SANTIAGO, como o próprio subtítulo afirma, fala de Santiago, do processo de realização do documentário e da infância do diretor ao mesmo tempo. Quem narra a produção é Fernando Moreira Salles, irmão de João. Desconheço se o documentarista já narrou algum dos seus filmes, mas ainda bem que isso não ocorre aqui. Não acho que João teria segurado as fortes emoções quando fosse ler o seu texto no estúdio. Pegar todo aquele material e ver e rever tudo de novo para fazer uma edição deve ter doído demais no coração.

Além de difícil, o filme incomoda num ponto. A maneira como o João Moreira Salles tratou o seu antigo mordomo durante as filmagens é nada menos que grosseira. Pelo menos, o próprio diretor assume isso ao não cortar o áudio de sua voz e (creio eu) mostra arrependimento por não ter dado a atenção e o carinho que Santiago merecia. Minha maior restrição com o filme é essa, mas a verdade é que não me sinto muito à vontade enquanto escrevo estas linhas sobre ele. Vai ver que isso ocorre por eu me importar mais com o personagem Santiago do que com o resultado final deste projeto de Salles também chamado de Santiago.

Um belíssimo momento do filme é justamente uma cena de outro filme, A RODA DA FORTUNA (The Band Wagon, 1953), o favorito de Santiago. Trata-se de um musical dirigido por Vicente Minelli com Fred Astaire e Cyd Charisse. Quem não gostar do documentário, pode não achar que gastou dinheiro de ingresso à toa só pelo prazer de ter visto esse pequeno, mas sublime momento de puro cinema.

Agradecimentos especiais ao Cinema da Fundação Joaquim Nabuco pelo convite.

segunda-feira, setembro 17, 2007

domingo, setembro 16, 2007

PEDRO DE LARA


1925 - 2007

Trailer de A LENDA DO CAVALEIRO FANTASMA

A LENDA DO CAVALEIRO FANTASMA (Legend of the Phantom Rider, 2002, EUA)


Uma daquelas pequenas pérolas que estão nos balaios promocionais de DVD das lojas de magazines. Ver um bom faroeste feito depois dos anos 2000 tem sido algo bem difícil, só consigo me lembrar que apenas PACTO DE JUSTIÇA e RASTRO PERDIDO conseguiram chamar a atenção merecida dos fãs. Quem continua sentindo falta de algo interessante no estilo pode conferir A LENDA DO CAVALEIRO FANTASMA e acabar gostando dele que nem eu.

A produção custou $ 1.600,000, segundo o IMDB. Todas as limitações deste baixo orçamento foram muito bem contornadas pela criatividade do diretor e produtor Alex Erkiletian. Uma coisa que comprova isso por si só é a sua excelente abertura, simplesmente de tirar o fôlego. Na trama, temos mais uma vez um bandido misterioso acompanhado pela sua gangue de capangas sanguinários que toma uma cidadezinha. Neste caso, trata-se de Blade, vivido pelo ator Robert McRay que também é roteirista do filme. O estranho rápido no gatilho que aparece para fazer justiça pelos oprimidos logicamente não podia ficar de fora, mas lembre-se de que estamos falando de um filme que é legal por ser diferente.

O estranho se chama Pelgidium (McRay novamente!) e ele é uma criatura sobrenatural. Vestido de preto dos pés a cabeça, Pelgidium tem longos cabelos negros, é caladão e anda sempre curvado para esconder o seu rosto deformado e cheio de cicatrizes. Trata-se de um anti-herói memorável, um personagem que chega a ser ainda mais assustador do que os vilões. Esse sujeito sinistro foi trazido ao mundo por causa do forte desejo de vingança de Sarah Jenkins (Denise Crosby, de CEMITÉRIO MALDITO), uma mulher que sobreviveu junto com a filha pequena ao violento ataque de Blade e seus homens à sua família.

O elenco de coadjuvantes é outro achado. Angus Scrimm (o "Homem Alto" da excelente série PHANTASM) faz o padre da cidade. Os veteraníssimos Stefan Gierasch e George Murdock tem belas e pequenas participações / homenagens. E finalizando, Rance Howard (pai de Clint e Ron) e Irwin Keyes. Essas são duas pessoas que eu tenho a mais absoluta certeza que você já deve ter visto em vários outros filmes.

Não bastava tudo já ser muito interessante, a bela cinematografia de John Roy Morgan quase faz com que a gente pense que não estamos vendo uma produção classe B. Com um roteiro que brinca e tem pleno conhecimento das convenções do gênero, atuações competentes e direção e fotografia das mais inspiradas, A LENDA DO CAVALEIRO FANTASMA é mais um daqueles títulos que provam que não se precisa de orçamentos exorbitantes para se fazer um bom filme. Chega dá gosto de se ver.

O DVD nacional da Flashstar apresenta o filme em sua janela correta. Ainda bem!

PS: Falando de cinema B, tem blog novo na área sobre o tema. Ele é o B MOVIE BOX CAR BLUES, capitaneado pelo amigo e companheiro da blogosfera César Almeida, mais conhecido pelo pessoal através do DOLLARI ROSSO. Minha colaboração nele está garantida. Espero que vocês se divirtam aproveitando o conteúdo bacana que já foi postado nesta primeira semana de atividades.

sexta-feira, setembro 14, 2007

VÁ E VEJA vai pra balada com os irmãos Roxbury que ninguém é de ferro!

Will Ferrell - Steve Butabi
Chris Kattan - Doug Butabi

A Night at the Roxbury

Sylvester Stallone:



Tom Hanks:



Jim Carrey: